Carlito's News




ANIVERSARIANTES do MÊS

Parabéns!


Regina Godoy       01
Pedro Vargas       02
Luana Ribeiro      05
Bernar             19
Gisele Oliveira    19
Dulce Silva Santos 22

Geraldo de Souza   26

PENSAMENTO DO MÊS

“Antes que eu possa mudar o mundo, tenho que mudar o homem. (Bertold Brecht) 

A MELHOR FRASE DA SEMANA

 “Ser jovem é trazer dentro do coração todo o ardor do sol”. (Rui Barbosa)

A MELHOR FRASE DO MÊS

 “Hoje em dia dizer que uma coisa é impossível, é colocar-se do lado dos que vão perder”. (Von Braun)

FILOSOFANDO

“Cada fracasso ensina ao homem algo que necessita aprender”. (C. Dickens)


                                                    O RISO DE CARLITOS

“A mulher foi passear na capital. Dias depois o marido recebe um e-mail dela: Amoreco me envie mil reais. Preciso comprar uma capa de chuva, Aqui está chovendo sem parar. E o marido responde: - Regresse. Aqui chove mais barato!”  

 NEWS


Não deixe de assistir ao programa “BASTIDORES”, na TV Vila Imperial, Canal 19 da TECHCABLE, todas as terças-feiras, às 13h30, com reprise às quintas-feiras, às 17 horas e aos sábados, às 16 horas. Quem não mora em Petrópolis poderá assistir através da Internet www.tvvilaimperial.com.br Produção, direção e apresentação de Angelo Romero.

CONVITE: O projeto de Angelo Romero, CINE-CLUBE-ARTE ABELARDO ROMERO, é apresentado sempre no primeiro sábado do mês, no Centro Cultural Cine-Teatro Abelardo Romero, às 19h, com entrada franca para os associados e convidados especiais, e ainda oferece, gratuitamente, pipoca e refrigerante. O projeto, nos mesmos moldes, está sendo estendido para a Casa de Cultura Cocco Barçante. A próxima apresentação será lá, mediante convite e acontecerá às 19h do sábado, dia 19 do corrente.
Maiores informações pelo telefone 99918-1817. O endereço é Rua Coronel Veiga, 1734 – Ponte Fones
  
O amigo e confrade ANTÔNIO MENROD, poeta, escritor e dramaturgo, lançou na Feira de Livros da APL, o texto de sua mais recente peça teatral: “A FILHA DO CARDEAL”. Brevemente lançará seu mais recente trabalho literário: - O livro infanto-juvenil “STELA, PALMAS PARA ELA”. Vamos aguardar o sucesso!


CURSO DE TEATRO


Já estamos aceitando inscrição para formar uma nova turma do curso de teatro Angelo Romero. As aulas terão início no próximo mês de maio. Maiores informações pelo telefone 2245-7260

Divirta-se e cresça: assista teatro; estude teatro.


O POEMA DO MÊS




“ESCRAVO DO SONETO”
(João Roberto Gullino)

Soneto? Para que desenterrá-lo
se é um estilo tão velho e antiquado?
Se é porque gostas, faça-o com cuidado,
velando com carinho, sem resvalo.

Na verdade, precisas bem amá-lo:
nas métricas e rimas ser frisado
e pela acentuação sempre ligado,
sendo dele autêntico vassalo.

Zela bem, com rigor, cada terceto,
não imites o vôo de um besouro
que, tonto, flana ao som de um minueto.

E mesmo que tu sejas um calouro,
cuida muito bem do último verseto
para fechá-lo, enfim, com chave de ouro.

João Roberto Gullino é membro honorário da Academia Brasileira de Poesia. Este poema foi extraído de seu livro: “RAÍZES SOMENTE”,

CRÔNICA DO MÊS

 

“QUITANDINHA” – O MAGESTOSO HOTEL-CASSINO JÁ É VOVÔ!
(Angelo Romero)
                                    
    Apesar dos últimos problemas surgidos que desafiam Petrópolis, sendo que o mais grave é a violência, oriunda do tóxico, problema este importado das grandes cidades, Petrópolis, nos seus 171 anos de vida, continua a seguir seu roteiro por ser uma cidade eminentemente turística e que possui um povo acolhedor que tanto recebe bem quem nos visita, assim como o forasteiro que para aqui vem para morar. Além de seu clima ameno e pacifista, a Cidade oferece uma produção artística e cultural para todos os gostos, com uma programação diversificada e constante, através do Museu Nacional, do Teatro Municipal, do Centro de Cultura Raul de Leoni, da Casa Cláudio de Sousa e do Palácio de Cristal, apenas para citar as instituições públicas. Não obstante, Petrópolis orgulha-se de possuir rica arquitetura, em que seus principais prédios guardam parte importante da história do Brasil. E se falando de beleza e história, ainda podemos destacar a imponente Catedral e o Solar do Império. Diante de tantas atrações, o turista, em passeio de charrete, conhecerá apenas as fachadas de nossos principais prédios, praças e monumentos. Para conhecer melhor a Cidade, ele terá que se hospedar e contratar um guia turístico. E falando em hospedagem, creio eu que nossa rede hoteleira deixa a desejar. Custo a entender o que se passa na cabeça dos empresários voltados para a hotelaria. E olha que não sou um especialista no assunto. Deixei para falar por último, do que é, para mim, o mais belo conjunto arquitetônico da Cidade e o que mais me impressiona: o Hotel-Cassino Quitandinha em seus 70 anos de existência. A incompetência, a burocracia e, principalmente a corrupção, há anos que vem cegando nossos principais dirigentes com relação a uma das maiores e melhores fontes de renda do país: o turismo. Precisaríamos da visão de um Juscelino para conduzir nosso Brasil para o primeiro mundo. Será que existe povo mais acolhedor que o brasileiro? Será que existe no mundo uma cidade tão bela quanto o Rio de Janeiro? Será que existe um país com maior riqueza rítmica e melódica que o nosso? E a exuberância de nosso folclore? Isto sem falar em carnaval, café e futebol, temas que nos tornaram conhecidos no passado. E com tudo isso é que sabemos, tristemente, que às notícias que exportamos para o resto do mundo sobre o Brasil, ao invés de incentivar o turismo, priva da visita de quem nos conhece através de postais. Mas, voltemos ao Quitandinha, obra notável do Sr. Joaquim Rola, criminosamente descaracterizada por nossa incompetência, aliada à estupidez e fraqueza do governo Dutra. Dizem que em casa de militar quem dá ordem unida é a mulher. Porém, a senhora esposa de nosso general-presidente, resolveu mandar também no Brasil e obrigou o marido, em respeito à Igreja Católica, a acabar com o jogo em nossa pátria. Mas é esta mesma Igreja que, ironicamente, convoca seus humildes fiéis aos jogos de azar, através dos bingos, rifas e etc., para ajudar nas obras de seus templos, ao invés de desfalcar a incalculável fortuna do Vaticano. O país não precisa pertencer ao primeiro mundo para que tenha cassinos. O Uruguai, nosso vizinho ali da esquina, extrai do brasileiro que para lá vai jogar, boa parte de suas divisas em seu Cassino de Punta Del Leste. A falsa moral é que atravanca o progresso. O jogo em nosso país nunca foi proibido. O que se proíbe é o cassino. O jogo do Bicho, desde que foi criado, até aos nossos dias, continua a alimentar o sonho do pobre e do policial desonesto. Por sua vez, a Caixa Econômica Federal, órgão do governo, incentiva o povo a jogar. E foi com emoção duplicada que vi Abelardo Romero, meu pai, chegar extasiado de Petrópolis, após assistir a festa de inauguração do Cassino Quitandinha, a convite de seu amigo Joaquim Rola. E, tempos depois, emocionado voltei a ficar ao vê-lo desempregado que foi de sua função como fiscal de cassino, pela tal lei arbitrária e retrógrada, que citei acima. Já imaginaram quanto Petrópolis poderia arrecadar em impostos com o jogo no Cassino? Dinheiro este que poderia ser usado na reforma de nossos hospitais e escolas?
O Hotel-Cassino Quitandinha, com toda a sua opulência, não passa hoje de um belo conjunto arquitetônico apenas para pousar para as lentes de fotógrafos que ali se postam para captar, com emoção, imagens para um cartão-postal.

Esta crônica foi publicada no jornal “Tribuna de Petrópolis”, em 19 de março deste ano.

         
Ontem e Hoje (62 anos e o Brasil, em termos morais, não mudou nada) Esta crônica foi publicada em 30/04/1952 no antigo jornal “Diário da Noite” do Rio de Janeiro

97º O DESENCONTRO DOS FOCAS 

Fui ler hoje o convite dos bacharelandos em jornalismo, e antes não o lesse. Uma tristeza! Está bem redigido, não há dúvida, e o papel dobrado em quatro, é da melhor qualidade. Não é, pois, do papel propriamente dito, nem tampouco do estilo em que foi vasado no convite que me vem a decepção. É antes do papel dos bacharelandos. Tem-se a impressão, pela leitura desse convite, de que eles não estão entrando na imprensa, mas aposentando-se dela. São eles 58 moços e moças, todos inteligentes, sob a bonita beca, e todos alegres, com seu canudo na mão. Era natural, era justo, era nobre mesmo que eles escolhessem um patrono, ao botar a beca, e proclamassem um paraninfo ao apalpar o canudo. Mas nunca, em hipótese alguma, um patrono tão poderoso como o presidente da República. E foi ao mais poderoso dos cidadãos que os bacharelandos proclamaram ou, melhor, ungiram patrono da turma. Não satisfeitos com isso, entenderam de criar, para maior segurança de todos, seis classes, seis quadros, seis padrões de homenageados. (58 homenageantes para 31 homenageados). Três homenageados de honra, quatro de reconhecimento, oito de “especiais”, quatorze “simples” e mais administrativos. Que impressão teriam disso, se ainda aqui se encontrassem, um Evaristo da Veiga, um Alcindo Guanabara, um Rui Barbosa, um José do Patrocínio ou um Edmundo Bittencourt? A mais triste, por certo. A vocação para o jornalismo se manifesta, na juventude, pela curiosidade, a indiscreção, um desejo insopitável de meter o bedelho em tudo e tudo examinar, discutir e revelar, desde o mistério da Santíssima Trindade, que só interessa aos filósofos, até o mistério do desaparecimento do ovo na Semana Santa, o que a todo estômago nacional interessa. Essa é, sem duvida, a manifestação comum da vocação para o ofício de jornalista. O mais importante, porém, e que melhor define essa vocação está na coragem com que o jovem militante revela o que sabe, no interesse público, o que constitue uma prova de desinteresse particular. É verdade que a valentia e a desambição desaparecem, na maioria dos militantes, logo que lhes chegam cais. Com estas lhes chegam os desencantos e, uma vez desencantados, aceitam eles um cargo público, dão para agenciar sua publicidadezinha, passam a subscrever listas de banquetes e põem-se a escovar a lapela de todos aqueles que ocupem as mais altas posições na administração pública ou que detenham nas cheirosas garras o poder financeiro do país. Vá lá que obrem assim aqueles que, encanecidos na profissão, nada tenham arranjado nela senão o calo da pena ou da tecla da máquina de escrever. Os velhos em geral são cínicos. No começo da carreira, porém, o jornalista deve ser afoito, corajoso, independente, e ambicioso. Não deve se apadrinhar com o presidente da República, a não ser quando se torne dono de jornal. E não deve exaltá-lo sempre, e a propósito de tudo, a não ser quando se encontre na idade provecta e proveitosa do nosso líder Herbert Moses. Admite-se, compreende-se e perdoa-se, enfim, tudo no fim de carreira. Nunca, porém, no seu começo. Pelo que lá está escrito, no convite dos bacharelandos, chaga-se à desoladora conclusão de que eles já entram desencantados na profissão. E é pena.                                                                                  Abelardo Romero

Obs. Foi mantida a grafia da época e, excepcionalmente, o texto foi copiado, ao invés de recortado do jornal, em face da má qualidade da impressão. Lamentavelmente, os jornais com as crônicas de números 94, 95 e 96 foram perdidos.



Para os amantes da poesia, CARLITO´S NEWS indica os seguintes livros e respectivos autores: “SOLvendo Sentidos” (Ivone Alves Sol), “CONVERGÊNCIA” (Fernando Magno e Christiane Michelin), “INTENSA” (Catarina Maul) e “RAÍZES SOMENTE” (João Roberto Gullino). Nosso jornal se oferece para intermediar os possíveis interessados, com os autores citados, através de nosso telefone.                                                                                 








 ANIVERSARIANTES do MÊS

Parabéns!


Carmen Felicetti         06
André de A. Romero Filho 06
Tânia Cristina da Costa  14
Marcelo F. Thomas        16
Sylvio Adalberto         17
Verônica Bozano da Cruz  19
Vanessa Rodrigues        21
Andréa do Couto          23
Herly de A. Freire       23
Lúcio Ricardo            28
Geraldo Silva Guimarães  30
Norma de O. Almeida      31


PENSAMENTO DO MÊS

“Não poderá ser mestre quem nunca foi discípulo” (Rojas)

A MELHOR FRASE DA SEMANA

“A amizade é a forma mais pura e compensatória para amenizar a solidão, inerente ao ser humano”. (Angelo Romero)

A MELHOR FRASE DO MÊS

“Eu segurei muitas coisas em minhas mãos e as perdi, mas tudo que eu coloquei nas mãos de Deus eu ainda possuo”. (Martin Luther King)



O RISO DE CARLITOS

“O que teria acontecido se os três Reis Magos fossem três Rainhas? – perguntou um amigo ao outro, e este respondeu: - Elas teriam pedido informações, chegado a tempo e ajudado no parto. Teriam feito uma boa comida e arrumado o estábulo. E melhor, teriam levado presentes úteis. E então, teria havido paz na Terra! 

NEWS



Não deixe de assistir o programa “BASTIDORES”, na TV Vila Imperial, Canal 19 da TECHCABLE, todas as terças-feiras, às 13h30, com reprise às quintas-feiras, às 17 horas e aos sábados, às 16 horas. Quem não mora em Petrópolis poderá assistir através da Internet www.tvvilaImperial.com.br Produção, direção e apresentação de Angelo Romero.


O projeto de Angelo Romero, CINE-CLUBE-ARTE ABELARDO ROMERO, sempre no primeiro sábado do mês, no Centro Cultural Cine-Teatro Abelardo Romero, às 19h, com entrada franca para os associados e convidados especiais, e ainda oferece, gratuitamente, pipoca e refrigerante. O projeto, nos mesmos moldes, está sendo estendido para a Casa de Cultura Cocco Barçante. A próxima apresentação será lá, mediante convite e acontecerá às 19h do sábado, dia 29 do corrente.
Maiores informações pelo telefone 99918-1817. O endereço é Rua Coronel Veiga, 1734 – Ponte Fones

Em data que será marcada brevemente, o amigo e confrade ANTÔNIO MENROD, poeta, escritor e dramaturgo, lançará seu mais recente trabalho literário: - O livro infanto-juvenil “STELA, PALMAS PARA ELA. Vamos aguardar o sucesso!


Divirta-se e cresça: assista teatro; estude teatro.



O POEMA DO MÊS



“Azul”
Ivone Alves Sol

Não era azul aquela água do mar azul.
Mas, o mar também não era azul!
Azul era a cor do céu dançando nas ondas...
Que onda! O céu estático dança
- Nas ondas que embalam o mar!

Não era blues o som das ondas,
Mas o céu trajava azul.
Do seu capuz, a sombra,
Num mar aberto ao olho nu.

Não era azul o mar...
E o céu também não!
Azul era o olhar
Sobre a imensidão...
Do céu e do mar!


(Poema extraído do livro “SOLvendo Sentidos”.)
Ivone Alves Sol é membro titular da Academia Brasileira de Poesia.



RIFÃO
Angelo Romero

“Do mundo nada se leva”.
- Ingrato rifão do mundo.
Deste mundo vou levar,
Meu sonho de vagabundo.

(trovinha que escrevi aos treze anos e que publiquei em “TEMPO ATRASADO”, meu primeiro livro.)


A CRÔNICA DE MÊS
(Angelo Romero)


PETRÓPOLIS, 171 anos – parabéns!

                                        
Há muitos anos assisti um filme que se tornou famoso, cujo título em português era: ”Do destino ninguém foge”. Ao me aposentar, preocupado com a violência do Rio, com o trânsito caótico e com o calor, decidi viver o resto de meus dias numa cidade menor, com clima ameno e bem mais pacata. Como sou praiano, e por ter uma casa por lá, pensei primeiro em Cabo Frio. Minha mulher, ao contrário de mim, não gosta de praia e decidiu por Petrópolis. Na verdade, não foi sua decisão que me trouxe para cá, foi o destino, pois assim estava escrito. Eu não pretendia viver de pesca, nem de mergulhos submarinos e sim, de literatura. Vamos convir que, para tal, Petrópolis faria maior sentido. Eu acredito piamente em destino. Quando Deus nos põe no Mundo, nosso roteiro já está escrito, incluindo as partes principais: nascimento e morte. Claro que Ele nos dá o livre arbítrio. Porém, o tal do livre arbítrio é para que tenhamos o direito de incluir algumas passagens no roteiro, ou seja, para que possamos ser co-autor de nossa vida. Estas passagens podem ser dignificantes e meritórias, como podem ser contrárias aos bons costumes e maléficas para a sociedade. E é aí que vamos depender de nossas escolhas, usando o livre arbítrio para o bem ou para o mal. Beneficiado pela paz e pela boa qualidade de vida, não pude só avolumar, como aprimorar minha produção artística e literária. Petrópolis reconheceu meus possíveis valores, elegendo-me para suas principais Academias: Petropolitana de Letras e Brasileira de Poesia. Inicialmente, como arrendatário de uma casa noturna, pude perceber, ao fim de cada expediente, que poderia caminhar pelas ruas desertas em plena madrugada, a esperar que fossem abertas as portas da primeira padaria para o meu café matinal, ato este que no Rio seria, no mínimo, temerário. Mas, Petrópolis, lamentavelmente, já não é aquela cidade que conheci há vinte anos. A Cidade cresceu, embora o centro, espremido entre rios e montanhas, não tenha como crescer geograficamente. Mas cresceu na periferia de forma desordenada. Cresceu com os graves problemas inerentes às grandes cidades, principalmente com relação à violência e ao trânsito. Com novas linhas de ônibus ligando nossa tranquila cidade de outrora, à baixada fluminense, passamos a receber alguns visitantes que usam o livre arbítrio para o mal. Com a criação das UPPs, Unidade de Polícia Pacificadora, no Rio, passamos a importar os perigosos traficantes e Petrópolis ganhou o status de uma Metrópolis. “As bocas de fumo” proliferam, o trânsito, mal administrado, tornou-se caótico. A energia elétrica fornecida pela péssima qualidade da Ampla, já nos castiga com a falta de luz e com os “picos” de energia capazes de fazer queimar nossos aparelhos eletrônicos. Já temos assalto a luz do dia e o lixo se acumula nas ruas, tanto nos bairros, como no centro da Cidade. Uma guerra está sendo travada entre o mau pedestre e o mau motorista. Já temos atropelamento e desastres de trânsito. Em suma: da pacífica e pacata cidade serrana, pouco restou, ou melhor, restou sua paisagem bucólica, restou seu clima ameno, restou sua beleza arquitetônica e restou, principalmente, sua população pacífica e ordeira. E, para nós que escrevemos, que amamos e que adotamos esta bela e aprazível cidade para viver, resta-nos a esperança de que nossos governantes atentem para os nossos problemas e que Deus, nosso Pai, refaça seu roteiro, em benefício de um povo que não merece passar por tudo que está passando.

Obs. Esta crônica foi publicada no jornal “Tribuna de Petrópolis”, no dia 15 do mês corrente.



Ontem e Hoje (62 anos e o Brasil, em termos morais, não mudou nada) Esta crônica foi publicada em 30/04/1952 no antigo jornal “Diário da Noite” do Rio de Janeiro


93º A PRAGA DAS LETRAS 


O MAIOR inimigo da agricultura nacional é a literatura. Chego a esta conclusão depois de haver constatado, fato único no mundo, a estreita relação que há, neste país, entre trato da terra e o das belas letras. É verdade que não tivemos até agora, como os gregos e os romanos no seu apogeu, o nosso poeta agrícola, cantor do arado e das sementes das espigas douradas e dos frutos sazonados. Mas possuímos, em compensação, a maior quantidade de literatos agrícolas. Em toda a parte, onde quer que exista uma escola de agronomia, um posto, um horto, uma fazenda experimental, etc., aí vamos encontrar os mais dedicados cultores das letras. Agora mesmo, ao excursionar de avião pela bacia amazônica, teve o Dr. Cleofas a oportunidade de constatar esse fato. Sempr5te que o ministro pousava, num lugar qualquer, para observar a geminação de certas sementes ou o desenvolvimento de certas plantas, em torno de sua excelência floresciam em metáforas ardentes bocas nortistas. Da própria comitiva ministerial faziam parte diversos literatos. De uma feita, numa clareira, enquanto o ministro fazia perguntas sobre o comportamento de “clones” de seringueira, um membro da comitiva exaltava a beleza da selva; outro, a magestade do poente no rio-mar, e outros, ainda, recitavam poesias, de sua própria lavra, sobre o velho tema amazônico.
Como não dispusesse de tempo para ver tudo, pediu o ministro aos seus auxiliares regionais que só lhe mostrasse coisas de real interesse no domínio da agricultura. Estava ele, .porém, do aeroporto de Belém, à espera do avião que o reconduziria, já com atraso, à cidade de Manaus, quando o diretor da escola de iniciação agrícola local insistiu, arquejante e suarento, para que sua excelência visitasse o seu estabelecimento. Explicou-lhe o  Dr. Cleofas que não tinha tempo a perder. Estava com pressa. Sua agenda era grande. Em face, porém, da insistência do doutor, perguntou-lhe o ministro: Mas que há de novo, realmente interessante para a agricultura nacional? – Ah, seu ministro: - revelou o homenzinho com orgulho: - Acabei de construir um auditório, lá na escola, e quero que vossa excelência o inaugure com um discurso. O ministro desculpou-se. Não lhe seria possível atender ao convite do diretor da escola de iniciação agrícola. Não tinha tempo a perder. E, voltando-se para o deputado Echenique, desabafou: - Ora, seu Echenique! Venho ver “plantations”, e querem me mostrar um cenáculo, uma academia, um !”Petit Trianon” nas selvas! Positivamente, não é possível, com a praga da literatura, fazer-se agricultura neste país!                              

Abelardo Romero

Obs. Foi mantida a grafia da época e, excepcionalmente, o texto foi copiado, ao invés de recortado do jornal, em face da má qualidade da impressão. Lamentavelmente, os jornais com as crônicas de números 91 e 92 foram perdidos.                                                                                 









ANIVERSARIANTES do MÊS

Parabéns!


Paulo Alves Teixeira 03
Eric Mariosa Romero  09
Ely Branco           12
Julia M. Chaves      12
Marilene Duarte      22
Maria Lucia Dantas   22
Marcos A Rodrigues   27


PENSAMENTO DO MÊS

“Quem encontrou um amigo, encontrou um tesouro”. (Salomão)


A MELHOR FRASE DA SEMANA

“O mundo não terá paz, enquanto existir o dinheiro; mas, antes disso, espero que o dinheiro nunca me falte” (Tim Maia)


A MELHOR FRASE DO MÊS

 “O desejo de ser curado é por si só uma garantia de saúde”.  (Séneca)



O RISO DE CARLITOS


“Uma secretária muito gostosa e muito assediada descobriu que poderia perder uma coisa bem mais preciosa, por trás dos arquivos, do que os documentos que teria que arquivar.

NEWS



Não deixe de assistir o programa “BASTIDORES”, na TV Vila Imperial, Canal 19 da TECHCABLE, todas as terças-feiras, às 13h30, com reprise às quintas-feiras, às 17 horas e aos sábados, às 16 horas. Quem não mora em Petrópolis poderá assistir através da Internet www.tvvilaImperial.com.br Produção, direção e apresentação de Angelo Romero.


O projeto de Angelo Romero, CINE-CLUBE-ARTE ABELARDO ROMERO, sempre no primeiro sábado do mês, no Centro Cultural Cine-Teatro Abelardo Romero, às 19h, com entrada franca para os associados e convidados especiais, e ainda oferece, gratuitamente, pipoca e refrigerante. O projeto, nos mesmos moldes, será estendido para a Casa de Cultura Cocco Barçante. A próxima apresentação será lá, mediante convite e acontecerá às 19h do sábado, dia 22 do corrente.
O endereço é Rua Coronel Veiga, 1734 – Ponte Fones

Em data que será marcada brevemente, o amigo e confrade ANTÔNIO MENROD, poeta, escritor e dramaturgo, lançará seu mais recente trabalho literário: - O livro infanto-juvenil “STELA,PALMAS PARA ELA. Vamos aguardar o sucesso!


ACADEMIA BRASILEIRA DE POESIA


Foi emocionante o coquetel de posse dos novos acadêmicos na Casa Raul de Leoni. A festa, bem concorrida e bem servida, ficará marcada para sempre, sem dúvida, na vida dos laureados. Parabéns para Giancarlo Kind Shmid, Mary Portugal e, em especial, para a minha afilhada Iara Roccha.

“Copiei o poema que guardara dentro de mim, passando-o para o papel e, desta forma, tornei-me um plagiador de mim mesmo”.

Angelo Romero


O POEMA DO MÊS


“OFÍCIO”
Carmen Felicetti

Conter a explosão
Domar a flor carnívora

Mudar
Em pleno voo
A direção das setas

Mudar curvas em retas

Esse
O duro ofício
Da vida!


Este poema foi extraído de seu livro “Perfil do Vento”
Carmen Felicetti é membro das Academias Brasileira de Poesia e Petropolitana de Letras.



SURPRESA
Angelo Romero

O amor é como a chuva:
- Como chuva de verão.
Chega sempre de surpresa,
Inundando um coração!


A CRÔNICA DO MÊS



O CARNAVAL DOS SEM ROSTO
Angelo Romero

    Quando eu era criança tinha pavor dos “BATE-BOLAS” (creio que era este o nome da fantasia).  Vestiam uma roupa de cetim colorido e mantinham a cara coberta por um capuz. Apenas os olhos e a boca ficavam à mostra. Carregavam um pequeno cabo de madeira, com uma bola amarrada com um barbante em uma das extremidades. O divertimento desse folião era o de bater com a bola nas costas das pessoas. Não chegava a machucar, mas incomodava. E porque eles cobriam o rosto? Para que não fossem reconhecidos, claro, pois se não estivessem incógnitos, por certo não teriam coragem para executar este tipo de brincadeira. Era de certo modo uma brincadeira inocente. Porém, o que punha medo nas crianças era o fato de não ver a cara do folião. Os tempos mudaram e não sei se ainda existe o folião fantasiado de “Bate-Bola”.  Já não o vejo a um bom tempo.
    Hoje, trilhando a tal da “feliz idade”, (termo criado para amenizar os transtornos da velhice), voltei a ter medo dos encapuzados. Não é apenas medo, é pavor e preocupação. A fantasia mudou de nome: O “Bate-Bola” passou a ser denominado de “Black bloc”, um nome pomposo para usarmos no que me parece ser, atualmente, a nossa primeira língua. Seria normal que fossem denominados por baderneiros, mas o nosso “complexo de vira-latas”, como escrevia o saudoso Nelson Rodrigues, teria que se manter em evidência. Afinal, somos ou não somos do terceiro mundo? A mídia é a primeira a nos lembrar disso. Vejam: grande parte das crianças no período escolar costuma ser “sacaneada” pelos colegas mais velhos e mais robustos.  Mas hoje, esta mesma criança franzina sofre de “bulling”.  Mas vamos reconhecer: a palavra “bulling” soa melhor do que “sacanagem”.
    Mas, voltemos aos “Black bloc”.  A ação destes perigosos delinquentes é bem diferente da ação dos “Bate-Bolas”. Transformaram uma brincadeira inocente em vandalismo. Porém, o espírito da coisa é o mesmo, ou seja, o de fazer encapuzado o que não teriam coragem de fazer de cara limpa: agredir pessoas, emporcalhar a cidade e destruir bens públicos, incendiando veículos, quebrando cabines telefônicas, caixas eletrônicas de Bancos, vitrines de estabelecimentos comerciais e tudo o mais que encontram pela frente. Ao final da baderna o prejuízo é incalculável! E quem paga? É a sociedade num todo. E o mais grave de tudo é que alegam que esse tipo de vandalismo irresponsável e criminoso é a forma que encontram para protestar sobre algo que não concordam.  Como exemplo, posso citar a vitrine de uma loja de calçados é destruída, ou um automóvel velho de um humilde trabalhador é incendiado em virtude do aumento de 20 centavos na passagem dos ônibus. Não é incrível?

    Concluindo: defendo que as autoridades deste país não deveriam esperar por um ato de vandalismo para prender o vândalo. A prisão deve ocorrer só pelo fato do possível baderneiro mostrar-se encapuzado. Evitaria o prejuízo aos bens públicos e inibiria qualquer ato criminoso. Já se está pensando numa lei específica para punir o encapuzado. Leis no país, por sinal, existem para quase tudo. O mais difícil é fazer com que elas sejam cumpridas. Você, caro leitor, que é discriminado por ser negro ou pobre, acredita em nossas leis?


FILOSOFANDO






Ontem e Hoje (62 anos e o Brasil, em termos morais, não mudou nada) Esta crônica foi publicada em 24/04/1952 no antigo jornal “Diário da Noite” do Rio de Janeiro


90º PIADAS
                          
   Quem quiser topar com o sr. Benedito Mergulhão, depois do almoço, não o procure no Palácio Tiradentes, mas no Café Amarelinho. Lá está ele todas as tardes, sentado à mesma cadeira, em torno da mesma mesa, cercado dos mesmos amigos.
     Sabem da última? – perguntava ali, ontem, o deputado, afiando a sua terrível língua: - Um sírio de São Paulo acaba de revelar a um eminente patrício, na cidade de Damasco, a imensa prosperidade e o imenso prestígio da colônia síria no Brasil: “Dominamos em tudo – disse ele – Na economia, nas finanças, na política, na administração pública, no parlamento e até na poesia.”!
     - Quem é o presidente da República? – perguntou o eminente sírio.
- Vargas – respondeu o sírio de São Paulo – Oh – fez o outro, bastante decepcionado – Um estrangeiro!...  
*O PROFESSOR  Wanderley Curio recordava, ontem, uma visita que fizera a Vila Isabel, quando prefeito, o venerável Olimpio de Melo.
     - Na véspera, pela manhã, fui ao vigário da Vila, um piedoso italiano, e encomende-lhe uma missa campal na Praça Barão de Drummond. “Ma Wanderley, chesto non é possibile!” – exclamou o vigário no seu italiano corrompido pela gíria da Vila – Se eu faço missa campale para prefeito, tenho que fazer uma PROCISSON para Xetulio, Non é possibile.
    E não celebrou a missa campal do padre prefeito.    **   
    Já descobri a causa de todo o êxito, na vida pública, do Adamastor Magalhães – revelou-nos, há pouco, o sr. Rubem Cardoso, eterno suplente do sr. Hugo Ramos filho, vereador do Capitão Luís Novaes - Sempre que um cavalheiro lhe tira o chapéu, na avenida e lhe faz a clássica pergunta: - Como vai? – Ele também tira o chapéu, mas responde de uma maneira diferente. Ainda há pouco, ao atravessarmos, a pé, a avenida, ouvi onze vezes este curtíssimo, mas  proveitosíssimo diálogo:
     - Como vai o Adamastor? – Com o governo.  ***
PARECE a doce Ligia Lessa não está mais disposta a desempenhar na vida sensorial, o papel de Diana Caçadora. Substitui o “tailleur” pela blusa feminina. Arranjou os cabelos cor de cobre num penteado ”coquete”. Na sua bolsa, onde outrora brilhava um mimoso revólver, encontra-se agora um jogo de baton, rouge, pó de arroz, pente e espelho. Respeitada por todos e até temida, por alguns, é natural que ninguém lhe faça perguntas sobre sua vida interior. Uns admitem que ela, como toda mulher, tenha sido, afinal, atingida pela seta de Cupido. Outros, porém, não o admitem.
     - Não acredito – dizia, ontem, um vereador a outro – Ligia não vibra a não ser pelo bem público. Não arde dentro dela a chama do amor.
     E outro, citando Petrarca:
     “CHIUSA FIAMMA É PIU ARDENTE”.   
                                                           Abelardo Romero


Obs. Foi mantida a grafia da época e, excepcionalmente, o texto foi copiado, ao invés de recortado do jornal, em face da má qualidade da impressão.                                                            

AVISO IMPORTANTE

Existem boas vantagens para você, amigo leitor, associar-se ao “Centro Cultural - Teatro e Cinema Abelardo Romero”.
A primeira delas é que você não terá custos, só benefícios. Basta que nos envie seus dados pessoais: nome completo, telefones (fixo e celular) data de aniversário e um retrato ¾ para a carteira social. Para quem sabe trabalhar com o computador, basta enviar uma foto por e-mail. Caso contrário, envie a foto pelo Correio. O endereço completo nós já temos, claro. Lamentavelmente percebo que a tal foto tem se constituído no maior problema. Basta interesse e boa vontade. Sem o número de registro e a carteira social você não será aceito como sócio. O cine-clube arte Abelardo Romero já é um sucesso. O associado terá direito a assistir os melhores filmes do mundo, com pipoca e refrigerante grátis, duas vezes por mês, além de outras vantagens. Informe-se. Brevemente a exibição dos filmes será exclusivamente para associados. Por ora, enquanto aguardamos os retratos, estamos emitindo convites especiais. Sua presença será muito importante, assim como o seu apoio ao nosso espaço cultural. Parabéns para as amigas Mirela e Regina González, que foram as primeiras a atender a minha solicitação.

Atenciosamente,
Angelo Romero


AMIGO LEITOR: APOIE QUEM NOS APOIA
                           







ANIVERSARIANTES do MÊS

Parabéns!

Sidney Carneiro       06
Florisbela Nascimento 18
Helena Lobo Mazzi     20
Regina Carrilho       22
Sandro Kapps          22
Gladys Barrientos     22
Affonso Romero Dantas 25
Enelly Casamasso      28

PENSAMENTO DO MÊS

 “Quem quer tudo o que vê, não vê o que quer”. 
(Casa Castel)


A MELHOR FRASE DO MÊS

“As nuvens que cobrem Petrópolis sofrem de incontinência urinária”. (Angelo Romero)

A MELHOR FRASE DA SEMANA


 “O homem que pensa somente em viver, não vive”.  (Sócrates)


O RISO DE CARLITOS

  “Uma loura consegue emprego de manobrista num Shopping. O cliente chega e ao pedir o carro, diz: O Celta preto. A loura responde: É verdade... Eu acho que vai chover”. 



NEWS



   Não deixe de assistir o programa “BASTIDORES”, na TV Vila Imperial, Canal 19 da TECHCABLE, todas as terças-feiras, agora em novo horário: às 13h30, com reprise às quintas-feiras, às 17 horas e aos sábados, às 16 horas. Quem não mora em Petrópolis poderá assistir através da Internet www.tvvilaImperial.com.br Produção, direção e apresentação de Angelo Romero e com a poetisa, atriz e entrevistadora Ivone Sol. A equipe de produção conta também com o escritor, historiador e fotógrafo, Almir Tosta.

O projeto de Angelo Romero, CINE-CLUBE-CULTURA acontecerá sempre ao primeiro sábado do mês, no Centro Cultural Cine-Teatro Abelardo Romero, às 19h, com entrada franca para os associados e convidados especiais, e ainda oferece, gratuitamente, pipoca e refrigerante. O projeto, nos mesmos moldes, será estendido para a Casa de Cultura Cocco Barçante, sempre no último sábado do mês, mediante convite.

Em data que será marcada brevemente, o amigo e confrade ANTÔNIO MENROD, poeta, escritor e dramaturgo, lançará seu mais recente trabalho literário: - O livro infanto-juvenil “STELA, PALMAS PARA ELA”. Vamos aguardar o sucesso!

      
Divirta-se e cresça: assista teatro; estude teatro.



O POEMA DO MÊS


SIGO
Gustavo Wider

Sigo
Falseia o chão sob meus pés
Mas mesmo assim eu sigo

Sei do abismo que me aguarda
penso em voar fugir correr
porém prossigo

Tento quebrar o ritmo do tempo
fechar os olhos retroceder
mas não consigo

Quero rezar... em vão
e sou condenado pelas preces
que eu não digo

Este poema foi extraído do livro “Portas Abertas”


 A CRÔNICA DE MÊS


Novo Ano, Vida Nova
(Angelo Romero)

    Encontrei o Deoclécio, amigo de infância. Fazia tempo que a gente não se via.  Nunca tive coragem de tratá-lo pelo nome. Sempre o tratei por Déo e ele nunca se incomodou. Déo não era anão, mas penso que manteve a altura de quando era criança. Sempre foi magro e de fisionomia miúda. A cabeleira era de poeta: vasta e cheia. Chamava a atenção. Bem mais por estar em desacordo com a formação do esqueleto, do que pela fartura do cabelo. Logo a princípio, pensei que havia encolhido com a idade. Porém, pouco tempo depois percebi que era porque estava careca. Déo sempre foi um cara honesto, inteligente , prestativo e orgulhoso. E o melhor, nunca me pediu nada emprestado. Só não era um perfeito modelo pra ser tratado por amigo, devido ao seu pessimismo. Não chegava a ser um mal humorado de carteira, pois conseguia rir da própria desgraça. Desventura, melhor dizendo. Da desgraça dos outros costumava se consternar e jamais eu o ouvi falar mal de quem quer que seja. Nem de político. Porém, apesar das citadas qualidades, eu passei a evitá-lo. Sou um pára-raios. O negativismo de amigo me põe pra baixo. Talvez Déo tenha percebido que eu procurava evitá-lo, pois, de uns tempos para cá, deixou de me procurar também. Aquele encontro foi inevitável, pois costumávamos frequentar a mesma farmácia. Farmácia, hospital, cemitério e missa de sétimo dia, são locais e ocasiões em que às pessoas idosas mais costumam frequentar. Olhei para o balcão e fiquei a calcular quem dos dois estaria gastando mais dinheiro com a quantidade de remédios pedidos ao atendente. Optei pelo empate. Enquanto a quantidade de remédios que eu havia pedido tivesse sido maior, a conta do Déo foi um pouco mais cara.
    Se quando mais jovem ele já era uma pessoa amarga e pra baixo, agora, com a idade, deveria estar no último degrau. Entretanto, até para minha própria surpresa, tomei-me de curiosidade e procurei conferir seu estado d’alma.
    - Como vai a família? – Perguntei. – Família, que família? Morreram todos e só me resta um primo que mora em Piabetá. Conhece Piabetá? É tão distante e mal localizado que nem e-mail chega por lá.
   - E de saúde, como vai o amigo? Déo, ao invés de me responder, mostrou a conta que teria que pagar no caixa. – Tá precisando de todos esses remédios? Pergunta cretina, merece resposta cretina. – Não – começou a me responder. Costumo estocar remédios para o futuro. Elogiei o sapato que estava calçando. – Belo sapato! – Gostou? É muito elegante! – Quer pra você? – Por que, não gosta dele? Está apertado e me fez um calo filho da...  E a literatura, como está? Continua a escrever? Vou publicar um livro no ano que vem. – Enfim uma boa notícia, mas apelei: - Mas o ano está começando agora. – Eu sei, mas até eu acabar a revisão... Pensei em tocar em assuntos não menos relevantes, mas me lembrei que ele era vascaíno. – E as mulheres? – Estão por aí. Eu as vejo sempre que saio de casa. Elas é que não conseguem me ver. De miúdo e sem atrativo, passei a invisível. – Mas existe sempre um chinelo velho para o pé doente, não sabe? – Sei, mas este chinelo está viajando e só volta no ano que vem. – Porque não vai ao encontro dela? – O pouco que consegui juntar está na poupança. Se der uns bons juros, talvez no início do próximo ano dê pra viajar. Bem, mas aí eu prefiro ficar por aqui. – Por quê? Porque aí nós vamos nos desencontrar... Ao pagarmos as nossas contas no caixa, ainda pensei em fazer uma última pergunta, mas achei por bem não fazê-la. – Então, feliz ano novo e até o nosso próximo encontro... – Quando será? –Me perguntou Déo. – No ano que vem, espero.


FILOSOFANDO







Ontem e Hoje (62 anos e o Brasil, em termos morais, não mudou nada) Esta crônica foi publicada em 19/04/1952 no antigo jornal “Diário da Noite” do Rio de Janeiro


87º CóDIGO DE VOTAR                                                         
O excesso de leis é prova de máu governo. Já dizia Tácito. E é verdade. Veja-se, por exemplo, o nosso caso. Quer-se andar pra a frente, neste país; nota-se mesmo um desejo real de progredir, de criar boas coisas, de promover enfim o progresso da Nação. O próprio govêrno deseja fazer alguma coisa interessante, sensata e prática. Mas não a faz. Impede-o de fazê-la o cipoal das leis, decretos e regulamentos dentro do qual se anularia o mais dinâmico dos governantes. O ideal, no Brasil, estaria no mínimo de leis, o indispensável para garantir os direitos do cidadão, definir-lhe a responsabilidade, cobrar-lhe o imposto e pouco mais do que isso. Sob a égide da lei tudo se torna difícil no Brasil, inclusive tapar um buraco. Quando um brasileiro desobedece a lei, contraria um dispositivo qualquer, deixa de cumprir um regulamento, não atende a uma exigência a tôa , etc., ele não o faz por desrespeito à Justiça, mas, ao contrário, pelo fato de respeitá-la demais.
Desde o selo na caixa de fósforo até o código eleitoral, tudo que é fruto da legislação, seja fiscal ou política, tudo, enfim, deveria ser resumido, sintetizado, simplificado ou, melhor ainda, desidratado. A lei eleitoral, por exemplo, deveria não só passar por uma reforma, como, principalmente, por uma desidratação. Há nela excesso dagua. E água suja, cheia de infusórios anti-democráticos, o que é mais grave. Deseja desidratá-la o deputado José Fontes Romero, que para isso elaborou algumas emendas saneadoras do código de votar. Mas o deputado Castilho  Cabral acha que esse código necessita de mais água, o que importa, sem dúvida, na sua liquefação.
A fórmula Castilho consiste em alargar ainda mais o código, metendo nela mais de duzentos artigos. Inchada, assim, na sua hidropisia, a nova lei eleitoral não passaria na porta estreita da Constituição, obrigando-a, por sua vez, à passar por uma reforma.
Quando se espera uma simplificação legal, eis que nos ameaçam com uma ampliação e, consequentemente, com nova complicação, base de toda interpretação maquiavélica contra os direitos do pequeno cidadão.
Chego às vezes a perguntar a mim mesmo se, em face de tão volumosa reforma, não seria melhor voltar-mos à eleição a bico de pena. Tinha ela, pelo menos, a vantagem de não enganar o pobre. Era brutalmente sincera...

Abelardo Romero

Obs. Foi mantida a grafia da época e, excepcionalmente, o texto foi copiado, ao invés de recortado do jornal, em face má qualidade da impressão.      







EDIÇÃO ESPECIAL DE SEXTO ANIVERSÁRIO


ANIVERSARIANTES do MÊS 




MELHOR FRASE DA SEMANA


“Um pouco de tolerância, um pouco de bom senso e um pouco de bom humor, e você não imagina como poderia tornar agradável a sua permanência nesse planeta”. (W. Somerset Maugham) 


A MELHOR FRASE DO MÊS


“No mundo atual está se investindo cinco vezes mais em remédios para a virilidade masculina e silicone para as mulheres, do que na cura do mal de Alzheimer. Daqui a alguns anos teremos velhas de seios grandes e firmes e velhos de pinto duro, mas que não vão se lembrar para que sirvam”. 


PENSAMENTO DO MÊS

“Paciência e tempo conseguem mais que força e raiva” 
(La Fontaine) 


O RISO DE CARLITOS                               
“Uma semana depois do casamento, o casal vai ao médico. A mulher fica na sala de espera enquanto o marido entra no consultório. – Não sei o que está acontecendo, doutor – diz o jovem – os meus testículos estão ficando roxos. O médico examina e manda a esposa entrar. – A senhora está usando o diafragma que recomendei_ - pergunta o médico. – Estou sim – responde ela. – Que geléia a senhora está usando? – De uva – responde a mulher”. 


NEWS



Não deixe de assistir o programa “BASTIDORES”, na TV Vila Imperial, Canal 19 da TECHCABLE, todas as terças-feiras, agora em novo horário: às 13h30, com reprise às quintas-feiras, às 17 horas e aos sábados, às 16 horas. Quem não mora em Petrópolis poderá assistir através da Internet www.tvvilaImperial.com.br Produção, direção e apresentação de Angelo Romero e com a poetisa, atriz e entrevistadora Ivone Sol. A equipe de produção conta também com o escritor, historiador e fotógrafo, Almir Tosta.

Encerrando suas apresentações este ano, no próximo dia 07, sábado, a partir das 19h, Ivone Sol estará promovendo mais uma edição de seu projeto “Sarau Poético Noite Ensolarada” na Casa de Cultura Cocco Barçante, Além de algumas atrações já confirmadas, Ivone espera contar com a participação voluntária dos convidados. O evento é composto de recital, música e cenas teatrais. A confraternização de fim de ano será, por certo, um motivo a mais para o sucesso. Devido ao pequeno espaço, os convites serão limitados e estão sendo enviados, por Ivone, através de e-mails e do Facebook.

Em data que será marcada brevemente, o amigo e confrade ANTÔNIO MENROD, poeta, escritor e dramaturgo, lançará seu mais recente trabalho literário: O livro infanto-juvenil “STELA, PALMAS PARA ELA”. Vamos aguardar o sucesso!


Divirta-se e cresça: assista teatro; estude teatro.


POEMA DO MÊS


“REPENTE”
João Roberto Gullino


Se era errado o momento tão sublime,
que o tempo carregou, maldoso, embora,
sem adeus, sem sorriso, sem demora,
ficou o dissabor que tudo exprime.

Se era pecado, ao menos, bem redime
saber que sucumbiu antes da aurora,
para o ontem mascarar com ar de outrora,
sem que duma “mea-culpa” se aproxime.

Se era assim leviano, não valeu
a mágoa que ficou bem evidente,
ranço que o tempo dissolveu.

Se era imprudência, então, patente
o momento fugaz em que teceu
as malhas do que foi puro repente.  



A CRÔNICA DO MÊS



O ÚLTIMO NATAL EM QUE FUI INTEIRAMENTE FELIZ
 Angelo Romero


    Eu atravessava uma das fases mais delicadas do homem. É aquela em que já não podemos ser classificados como adolescente, mas que ainda não estamos prontos como adulto. Na verdade, estamos a caminho de prestar o vestibular para nos tornemos homem, com H maiúsculo. Abandonamos os bancos escolares, e o lanche em casa passou a substituir a merenda. O cigarro, mal da época para o rapaz que ainda não tinha as informações que existem hoje, era fumado às escondidas. Naquele tempo, só, provavelmente, os “filhinhos de papai” sabiam o que era mesada. Nós pobres, ou mesmo de classe média, não tínhamos esse direito. Vai daí, o sonho alimentado a cada vinte e quatro horas, do primeiro emprego. Aquela graninha que nos daria o direito de comprar cigarros e pagar o cinema da namorada ou para que pudéssemos alugar uma mesa num baile do clube do bairro e pedir, com pose, ao garçom, uma dose de Cuba-Libre, a bebida da moda.
    As famílias respeitavam, bem mais que hoje, as tradições do Natal. Podíamos até sair para namorar, mas antes da meia-noite teríamos que estar em casa, ao lado de nossos familiares. E ai de quem não chegasse a tempo.
    Naquele tempo havia também a tradição de só abrir os presentes no dia seguinte, após o café matinal. Talvez para criar maior expectativa entre os adultos; talvez para prolongar na criança a crença da existência do Papai Noel, sim, pois este deveria entrar pela chaminé, durante a madrugada, ou, se não tivéssemos chaminé, teríamos que colocar nossos sapatos na janela para que o bom velhinho deixasse neles os nossos presentes. Minha casa não tinha chaminé, meus sapatos já não estavam mais na janela, e a mais doce ilusão de minha infância eu já a tinha perdido.
    Naquela altura da vida eu já conhecia o meu Papai Noel e era por ele que eu estava esperando com tanta ansiedade. Ele não chegaria numa carruagem puxada por Renas. Era real e pobre, viria de bonde. Papai era jornalista e como redator-chefe, teria que conferir as matérias antes de mandá-las para as impressoras, na oficina. Se fosse encantado, como o Papai Noel do Pólo Norte, chegaria a tempo, mas era humano, humano e jornalista. Se conseguisse chegar antes da meia-noite, seria um milagre.
    Naquela noite de Natal, o milagre aconteceu. Papai não só chegou antes da meia-noite, como não esqueceu do que eu mais queria ganhar naquele Natal: um jogo de camisas e uma bola oficial de futebol para o time que eu havia criado no bairro. Naquele momento eu senti uma sensação deliciosa. Já não me sentia adolescente e muito menos adulto. Diante do presente senti, por breve momento, que voltara à minha infância. E não só pelos presentes que acabara de ganhar, mas, principalmente, pelo brilho de felicidade nos olhos de minha mãe que, naquele momento, não sabia que o Natal daquele ano seria o último que passaríamos os três, juntos.      


CRONISTA CONVIDADA


Ivone Alves Sol
(Membro da Academia Brasileira de Poesia – Casa Raul de Leoni)


JUSTIÇA FEITA OU EGOS INFLADOS?



    "A Justiça começa a se fazer", (Fernando Henrique Cardoso). Isso mesmo, palavras do ex-presidente FHC, ao se referir à prisão dos mensaleiros. Teria ele condições de falar de justiça com tanta propriedade? Bem, isso não é o que mais me inquieta neste momento, o que me impressiona é ver como tudo em nosso país se torna um grande espetáculo. Como tendem a se tornarem heroicas, atitudes que poderiam ser normais, e seriam se não fossem as conveniências. O “herói” dessa vez é o presidente do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa. Aquele que “libertará o Brasil da corrupção”- como li várias vezes nas Redes Sociais. Ah, se fosse simples assim, se a corrupção se originasse, propagasse e terminasse no Congresso! Mas não é não. A corrupção não tem ponto de origem e sequer está no caminho do fim.
     A prisão dos mensaleiros, principalmente dos Josés, Dirceu e Genoíno, para uns é tida como um marco na história política nacional e, para os políticos de oposição, uma lavação de alma.  O certo é que, o que mais existem, são egos inflados. A começar pelo próprio Presidente do Supremo. Na pratica, não acredito em grandes mudanças, muito menos que a prisão seja a ação mais adequada nestes casos.
       Não sou especialista em política partidária, sequer sou filiado a um Partido, mas creio que algumas alternativas para se punir um político corrupto, são torna-lo inelegível, obriga-lo à restituição de tudo que fora utilizado ilegalmente e destituí-lo de todos benefícios agregados ao seu cargo, principalmente o salário.  Tenho certeza que estas ações, aliadas ao fato de constar em sua história o rótulo de corrupto, lhe serviriam com lições muito mais eficazes. 
     Ainda assim, seriam apenas os primeiros passos de uma grande escalada, pois a corrupção é muito mais abrangente e, como dizem popularmente, “o buraco é bem mais embaixo”. São nos campos menores que essa praga se desenvolve e se fortalece. São também nesses setores, onde ela mais passa despercebida, até por uma questão de conveniência, do Poder Público e dos cidadãos. Na maioria das vezes, depende do benefício e do beneficiado. Sem contar, que seu combate não renderia um grande espetáculo, nem precisaria de um grande herói. 



CRÔNICA EXTRA



CONVOCAÇÃO
Angelo Romero (Academia Petropolitana de Letras)


     Estas minhas palavras, prezado leitor de “Opinião”, são para você que, assim como eu, um dia foi criança também. São para você, prezado leitor, que precisou crescer, tornar-se adulto, para compreender que foi na infância, privilegiado pela inocência, que viveu os melhores momentos de sua vida. São para você que só precisava sorrir e brincar, enquanto seus entes queridos tudo faziam por você, mas que não lhe revelavam o custo. Que apenas sabia que era brasileiro e que o verde de nossa bandeira representava as florestas que teimam em existir. Que o amarelo transmitia o ouro de nossas riquezas e o sol de nossa energia; que o azul nos cobria com o céu estrelado, enquanto o branco representava a nossa paz.  São para você, leitor amigo, que não sabia que a corrupção, através de séculos, corrói nossas riquezas e que apesar de tudo o Brasil cresce e se agiganta. Para você que não sabia o quanto existe de corrupção em nossos políticos, em nossa Polícia e, principalmente em nossa Justiça. Não sabia que a parte nobre da Polícia Federal desempenha papel preponderante,
investigando e delatando, através de provas irrefutáveis, o nome das ratazanas que se tornam milionárias roubando dinheiro público mas que, beneficiadas por hábeas-corpos ou simples arquivamento de milhares de folhas de processo que vão para o lixo, continuam a roubar e a rir descaradamente de nossa Polícia que, desprestigiada e impotente, não consegue colocar na cadeia as ratazanas e principalmente, os juizes e desembargadores corruptos. E, no entanto, gozando de nossa injusta jurisprudência, põe nas grades o negro e o pobre que roubou uma caixinha de leite num supre-mercado, para alimentar o filho doente e desnutrido. Entretanto, deixa em liberdade o ladrão que roubou a verba da merenda escolar e os medicamentos e sofisticados aparelhos cirúrgicos dos hospitais públicos provocando, com isso, a má qualidade de ensino e o caos na saúde.
     Estas minhas palavras são para você, amigo leitor, que hoje conhece o verdadeiro Brasil, o país que você, quando criança, pensava conhecer. Sim, é para você que ainda não leu que os Correios, em serviço meritório, acolhe centenas e mais centenas de cartas de inocentes e carentes crianças que ainda acreditam em Papai Noel. E é por tudo isso, para que possa prolongar um pouco mais a felicidade de quem ainda é inocente, que o convoco para uma visita ao prédio do Correio Central de nossa Cidade. Para que você possa adotar um inocente, atendendo ao pedido de uma dessas cartas que lá estão esperando por um verdadeiro Papai Noel.
     E, finalmente, é para você, Pedrinho, Joãozinho, Paulinho ou outro nome qualquer que possa ter, que dedico minhas palavras. Para que você continue a acreditar que Papai Noel existe e que não é aquele velhinho, gordinho, de barbas branca e sorriso puro, que vem do Pólo Norte numa carruagem voadora, puxada por pares de Renas. Não, não é. Seu Papai Noel deste ano poderá estar dentro do peito e virá do coração de pessoas que, assim como eu, ainda acredita que é através da inocência infantil que vamos poder conviver com os melhores momentos de nossas vidas. É também que possamos ter fé para acreditar que, no futuro, nosso gigantesco e belo país, tão privilegiado por Deus e tão maltratado pelos homens, possa vir a se tornar no Brasil que pensávamos existir, quando éramos criança.    


O CONTO DO MÊS



O NATAL DO BILUCA
Um conto de Angelo Romero

     Foi só no terceiro pingo da chuva, que se acumulara sobre a folha de zinco que cobria seu barraco, que Biluca acordou assustado. Abriu os olhos, passou a mão sobre a testa. Na certa sua mãe ao varrer o chão do barraco no dia anterior, não recolocara seu colchão no lugar certo, distante da goteira. “Sol e chuva, casamento de viúva”. Sim, já ouvira aquele ditado engraçado. E, logo a seguir, um raio de sol espremendo-se, passou pelo orifício e veio ofuscar seus olhos. Sorriu. O domingo deveria ser ensolarado. Se chovesse não haveria o jogo de futebol. Esfregou mais uma vez os olhos e os fixou na direção da parede à sua frente. Ali estava colada a página da revista com a foto de seu ídolo, abraçado a uma linda bola de futebol. Levantou-se para lavar o rosto e esfregar os dentes com uma barra de sabão de coco. Do lado de fora do barraco, sua mãe estendia a roupa num varal improvisado. Pobre não sabe que domingo é o dia da semana reservado para o descanso. Ela percebeu que o filho acordara e, de onde estava, gritou:
     - O café está no bule sobre o bujão de gás. Basta acender o fogo para esquentar.
     Olhou para o relógio sobre o caixote que servia de mesinha de cabeceira e constatou que estava atrasado. Não teria tempo para cortar o pão dormido e passar um pouco de óleo de cozinha para amaciá-lo como se acostumara a fazer. Se corresse ainda pegaria o café da manhã que era servido para as crianças pobres que frequentavam o oratório do Colégio Salesiano do Jacaré, no Rio de Janeiro, antes da missa das oito. Poderia não chegar a tempo do café matinal, mas se perdesse a missa seria impedido de jogar futebol.
     Todos os domingos, às dez horas, padre Vitorino promovia um torneio de futebol entre as crianças, distribuindo-as entre os quatro principais clubes do Rio: Flamengo, Fluminense, Vasco e Botafogo. Biluca defendia o Flamenguinho, seu time de coração, como se fosse jogador do Flamengo de verdade. O rubro-negro costumava ser o maior vencedor, graças às qualidades de Biluca, seu principal jogador.  
     Eram, em média, cinquenta crianças que participavam do torneio. A maioria, oriunda da favela do Jacaré e, as outras, alunos do Colégio Salesiano. O campo de futebol era bem cuidado, porém não possuía as medidas oficiais. Ficava entre o prédio do Colégio e o prédio da Igreja da paróquia de Dom Bosco.
     Carlos César destoava das demais crianças. Era um pouco gordo, de pele muito branca, louro, de olhos azuis e de pouca habilidade para o futebol. Costumava ficar na reserva do Flamenguinho. Por seus colegas de Colégio, era tratado por Carlinhos, e pelas crianças da favela, por Gringo.
     Padre Vitorino usava o esporte para formar cidadãos. Além de ser um excelente professor de português, procurava usar de psicologia para descobrir e formar líderes. Para cada time, escolhia um capitão. Este costumava ser um líder nato. Biluca era o líder do Flamenguinho. Não só por sua rara habilidade com a bola, como também por gritar e incentivar os demais companheiros. A disciplina teria que ser rígida. A criança que cometia uma falta desleal, considerada grave, era afastada do jogo por dez minutos como punição. Biluca era o ídolo de Carlos César. Se pudesse, ele trocaria sua condição social, pelas qualidades futebolísticas do Biluca. E foram justamente os extremos que os aproximaram e os fez tornarem-se amigos. Nos primeiros torneios, Biluca tratava-o como “Gringo”, mas com o passar do tempo passou a chamá-lo por Carlinhos. Padre Vitorino, observador, passou a acompanhar de perto aquela amizade. Logo percebeu que viviam a trocar valores. Enquanto Carlinhos presenteava Biluca, com pequenas barras de chocolate, antes do início do torneio, Biluca, após os jogos, orientava Carlinhos com chutar uma bola e como executar um drible.
     Ao perceber que o par de tênis do Biluca estava rasgado, Carlinhos ofereceu o seu para o amigo jogar. Biluca calçava um número maior e o tênis ficou muito apertado. No domingo seguinte Carlinhos apareceu com dois pares de tênis. Um deles novinho em folha e um número maior do que costumava calçar.
     - Pedi para minha mãe comprar um novo tênis e menti para ela dizendo que o meu estava me apertando. Por este motivo, não posso lhe dar o tênis, mas trouxe os dois para lhe emprestar o novo.
     Biluca sorriu agradecido e padre Vitorino percebeu o acontecido. Ao final do torneio chamou Carlinhos para uma conversa em particular:
     - Admiro a amizade entre vocês e não posso deixar de louvar a sua atitude. No entanto, nada justifica a mentira. Um ato de caridade e prova de amizade deverão vir sempre calcada na verdade.
     Depois do conselho, padre Vitorino pediu que Carlinhos contasse para a sua mãe a verdade sobre o tênis e, para reforçar, entregou ao menino um bilhete no qual justificava a atitude do menino, perante a sua mãe.
     No domingo seguinte, quando o Flamenguinho estava vencendo o jogo por um placar elevado, Biluca começou a mancar. Pouco depois resolveu deixar o campo para por Carlinhos em seu lugar. Padre Vitorino observou a atitude. Várias vezes tal situação voltou a acontecer, para desgosto dos demais meninos do time. Biluca jamais abdicaria de vencer, para favorecer o amigo, mas sempre que acreditava que a vitória estava garantida, repetia o gesto.
     Com a surpreendente ausência de Biluca, num determinado domingo, o Flamenguinho não venceu. Tal ausência gerou não só preocupação, como tristeza. Padre Vitorino, que realizava programas sociais na favela, preocupado, resolveu visitar o menino. A ausência de Biluca não se deu por motivo de doença, felizmente. Ele fôra obrigado pela mãe a entregar a roupa lavada para as suas clientes. A entrega costumava se dar aos sábados, mas, por causa das chuvas, as roupas não haviam secado a tempo.
     Para o padre Vitorino, Biluca era um exemplo de criança fadada a ter um bom futuro se tivesse condições de estudar. Era um líder nato e de bom coração. Estava disposto a tentar junto à direção do Colégio, uma bolsa de estudo para o menino. Por saber que seria uma tarefa difícil, decidiu que pagaria a matrícula e as mensalidades de seu bolso, caso não conseguisse a gratuidade.
     Em face do grande serviço social que prestava à comunidade pobre da favela do Jacaré, Padre Vitorino conseguiu o que lhe parecia muito difícil: uma bolsa completa para o primeiro e segundo grau, para Biluca, ou seja, para João Menezes da Silva, seu nome verdadeiro. Se sua alegria foi grande, a decepção foi maior.
     - Agradeço padre, mas não posso aceitar. Biluca é meu filho único e é com quem eu conto para me ajudar. Se o curso fosse noturno, ainda bem, mas durante o dia ele não terá tempo.
     Padre Vitorino não se deu por vencido. Propôs dar aulas particulares ao menino, à noite, se ele quisesse. 
     Na semana que antecedeu o Natal daquele ano, Biluca mostrava-se triste. Carlinhos percebeu a tristeza do amigo e resolveu saber o motivo.
     - O futebol é a minha paixão – começou ele a falar. Eu sei que levo jeito, assim como sei também que para melhorar preciso treinar todos os dias no campinho que tem lá na favela. Há duas semanas que não consigo treinar. Minha velha bola de borracha furou na cerca de arame farpado e eu não tenho dinheiro para comprar outra – completou com voz triste.
     Carlinhos lembrou-se dos conselhos do padre Vitorino. Sabia que não poderia mentir para a sua mãe. Lembrou-se também de que ainda não havia feito sua lista de presentes que gostaria de receber no natal.

     Na manhã de 25 de dezembro daquele ano, o barraco de número 34 daquela favela foi surpreendido pela visita de um funcionário dos Correios que, através de uma encomenda, via Sedex, por lá deixou uma grande caixa endereçada a João Menezes da Silva. Para que a encomenda fosse entregue, bastava que o destinatário assinasse o recibo. Biluca já aprendera a assinar o nome e sua caligrafia apresentava letras arredondadas e bem definidas. Porém, a emoção prejudicou a boa qualidade das letras.
     Biluca poderia vir a ser um vencedor. Poderia vir a ter muitos e muitos natais. Poderia vir a ter poder de compra para satisfazer seus mais caros desejos, mas, certamente, daquele Natal ela jamais iria esquecer. Para uma criança pobre, favelada, ganhar uma bola de futebol profissional e um par de tênis de marca famosa era bem mais que um sonho... Um milagre que só uma grande amizade pode promover.   

        
FILOSOFANDO





Ontem e Hoje (60 anos e o Brasil, em termos morais, não mudou nada) Esta crônica foi publicada em 18/04/1952 no antigo jornal “Diário da Noite” do Rio de Janeiro



86º  Foot-Ball


     O Foot-Ball pode ser um sport, como outro qualquer onde quer que o pratiquem.Menos no Brasil. Entre nós ele serve, não para distrair o povo, mas para exaltar-lhe o ânimo, sempre deprimido, tornado-o em certos momentos, radiante, orgulhoso e feliz. Desde 16 de julho de 50 que o brasileiro vivia amargurado. Era uma amargura tão indefinível que convinha mesmo abafá-la no peito como uma humilhação. Lembro-me bem de que um pobre homem quase apanha num café, naquele anoitecer de 16 de julho, o crepúsculo mais silencioso na história nacional, só porque entrara sorrindo no botequim. E o mais extraordinário, naquela cena inesquecível, foi que ele ignorava sinceramente o resultado do jogo. Chegara da roça. Viera num caminhão. Não ouvira rádio pelo caminho.
     -Estás a rir, ó palhaço? – perguntou-lhe, furioso, o português do botequim. Devias ter vergonha nas fuças! Hoje é dia de luto no Brasil.
    E era mesmo. Naquela noite nenhuma mulher se deixou acariciar pelo seu amado. E ninguém pensaria nisso. Tão grande era o desconsolo, tão profunda era a mágoa coletiva, que beijar a mulher seria um ultraje à Pátria. Pouco tempo depois um homem deu um tiro noutro. Interrogado a respeito, desidratado por um espremedor de confissões, nem assim revelou o motivo pelo qual dera ao gatilho. Foi o goal de Gighia. Não poderia ser outra coisa.
     Se o governo tivesse um bom corpo de pesquisadores da alma nacional, já teria chegado a evidência deste fato: O decrescimento de produção, o marasmo na administração pública e o aumento da criminalidade no país, nos últimos dois anos, resultaram, sem dúvida, da derrota do team brasileiro no jogo decisivo da Copa do Mundo. Felizmente vencemos, ante-ontem, no Chile, os nossos queridos irmãos uruguaios. Lavou-se a alma brasileira em cerveja na madrugada de ontem. Muitas bôcas, há dois anos murchas, tornaram-se de súbito carnudas, engolindo sofregamente outras bôcas como essas flores que atraem, engolem e devoram insetos. Desde o operário, no bairro de São Cristóvão, até o embaixador Ciro de Freitas Vale, em Santiago do Chile, milhões de brasileiros sentiram ante-ontem, enxugando os olhos, que isto de ser brasileiro dá um orgulho danado. Graças ao foot-ball. 
                                                                                      
                                                              Abelardo Romero
Obs. Foi mantida a grafia da época






   

ANIVERSARIANTES do MÊS

Parabéns!



Délio Freire       03

Carminda Giglio    08
Paulo Jorge Xuxu   10
Almir Tosta        10
Norma de A Romero  20  




A MELHOR FRASE DA SEMANA (sobre as espionagens americanas)

 “Depois que Obama foi reeleito presidente dos Estados Unidos, eu pensei que ele fosse um homem negro, mas não é. É apenas americano”. (Autor Desconhecido)


A MELHOR FRASE DO MÊS 

“Quando criou o Rio de Janeiro, colocando curvas sinuosas nos morros, imaginando como seria a mulher carioca, Deus pensou que fosse Oscar Niemayer”.  (Eduardo Galeano – escritor uruguaio)


PENSAMENTO DO MÊS 

“Ser jovem é trazer dentro do coração todo o ardor do sol”. 
(Rui Barbosa) 



O RISO DE CARLITOS 


“Certa noite, duas garotas vinham voltando da igreja por uma rua escura e deserta, quando foram atacadas por dois vagabundos. – Deus – pedia uma delas -, perdoai-os, pois não sabem o que fazem. – Calma, amiga, disse a outra – Este aqui sabe”!


NEWS




Não deixe de assistir o programa “BASTIDORES”, na TV Vila Imperial, Canal 19 da TECHCABLE, todas as terças-feiras, agora em novo horário: às 13h30, com reprise às quintas-feiras, às 17 horas e aos sábados, às 16 horas. Quem não mora em Petrópolis poderá assistir através da Internet: www.tvvilaImperial.com.br. Produção, direção e apresentação de Angelo Romero e com a poetisa, atriz e entrevistadora Ivone Sol. A equipe de produção conta também com o escritor, historiador e fotógrafo, Almir Tosta.


Dia 21, quinta-feira, na Academia Brasileira de Poesia, Casa Cláudio de Souza, apresentaremos, às 19h30, com entrada franca, a leitura dramatizada da peça “Do sótão, ao porão”, com as atrizes, Déh Tavares, Nélia de Almeida, Luana Ribeiro e Lucy Pereira.  Angelo Romero completará o elenco e assina o texto e a direção. Espetáculo imperdível!

O amigo e confrade ANTÔNIO MENROD, poeta, escritor e dramaturgo, pede para avisar que vem aí seu mais recente trabalho literário, o livro infanto-juvenil “STELA, PALMAS PARA ELA. Antônio é sergipano, terra de meu pai e admirador da obra dos Romero, Abelardo e Sylvio. SUCESSO é o que desejamos.


Divirta-se e cresça: assista teatro; estude teatro.


O POEMA DO MÊS



“IMAGEM ERÓTICA”
Angelo Romero


Uso a pela que cobre teu corpo
para escrever um poema com meus olhos.
Mas, jamais o declamarei em voz alta
para não quebrar o encanto da imagem.


As palavras escorregariam do alto de teus morros,
desfilariam sobre a planície alva de teu ventre
e ao perder o caminho de volta,
morreriam afogadas nas margens de teu córrego!


Este poema fará parte do próximo livro do autor: “Exílio na Serra”, que será publicado brevemente.


CRÔNICA DO MÊS



O “Gato” e os Patos  
        Por Angelo Romero (da Academia Petropolitana de Letras)


    Calma, gente! Não vou falar sobre o mundo animal. Não é minha especialidade. Nos duros anos da mais recente ditadura militar (jamais usaria a palavra “última”), um amigo comum me indicou um livro para comprar. – “Corra às livrarias, antes que a censura proíba sua comercialização” – disse-me ele. Bastou-me esse aviso para triplicar meu interesse pelo livro. Acontece que a curiosa indicação, já a recebi com certo atraso, pois, ao procurar o tal livro, este já havia sido retirado das livrarias. Como costumo ser traça de livro e aconselhado pelo mesmo amigo, passei a procurá-lo nos “sebos” da cidade do Rio.  Minha insistência, por fim, foi premiada e hoje “Brasil Para Principiantes”, de autoria de Peter Kellemen, escritor de origem húngara, é um dos mais valiosos entre os mil livros de minha biblioteca. Mas, por que este livro é tão precioso? – perguntarão vocês e eu respondo: Porque, apesar de não me considerar um principiante a respeito do meu país, fiquei impressionado com o conhecimento de um emigrante húngaro, recém-chegado ao Brasil, sobre os nossos costumes. Com humor satírico impecável, mas sem nenhum sentido de ofensa, Peter descreve o comportamento do povo brasileiro, diante das leis, principalmente aquela, não oficial, que permite que o cidadão comum possa tirar vantagem de tudo. Ainda na Hungria, antes de embarcar para o Brasil, Peter, para tirar o passaporte, foi obrigado a tomar vacinas. Este fato foi o que de melhor pôde lhe acontecer, pois o médico francês que lhe aplicou as vacinas havia morado durante muitos anos no Brasil.  Ele lhe falou: “as vacinas são de graça, mas se quiser alguns conselhos de como viver e se comportar no Brasil, vou lhe cobrar, e se você me pagar jamais irá se arrepender. O Brasil é o melhor país do mundo para se viver, mas terá que aprender bem mais que a língua portuguesa. Terá que saber interpretá-la. Existem códigos quer precisam ser decifrados. O sim, muitas vezes quer dizer não e o não, na maioria das vezes quer dizer sim. Assim como todas as proibições não quer dizer que sejam proibidas, nem todos os direitos do cidadão representarão direito adquiridos”. E daí em diante o médico francês passou a exemplificar certos códigos de conduta. Resultado: Peter pagou caro pelos conselhos, embarcou para o nosso país e, pouco tempo depois se tornou milionário ao aplicar famoso golpe na Praça, conhecido como o golpe do “Carnê Fartura”. Antes que fosse detido e condenado à prisão, mudou-se para o Paraguai, paraíso sul-americano dos milionários cuja fortuna advém de meios desonestos. No livro, escrito e publicado antes do golpe por ele praticado, Peter explica, nas entrelinhas, porque o Brasil é o melhor país do mundo para o estrangeiro que por aqui deseja viver. Creio que o fato de ter ficado milionário após ter ensinado ao povo de como viver no Brasil, foi que fez gerar a revolta das autoridades da época e, consequentemente a retirada dos livros das livrarias Ficar milionário no Brasil em face de corrupção e falcatruas, não tem o menor problema, mas ensinar... Aí já é uma prática abominável!
    Apesar de não ter, historicamente, o privilégio que tem os estrangeiros que resolvem vir morar no Brasil e apesar de todas as nossas mazelas, não troco o meu país por outro qualquer para morar. Assim como Peter, conheço e decifro todos os códigos, mas meu caráter me impede de colocar em prática a tal lei, não governamental, que favorece o povo a tirar vantagens de tudo. Entretanto, o que mais me dói à alma é saber que o honesto no Brasil, não só paga os exorbitantes impostos, como é obrigado a pagar um imposto embutido nas entrelinhas, ou seja; o imposto por ser honesto e fiel cumpridor dos deveres e obrigações. No Brasil, o justo paga pelo pecador. Querem um exemplo? Pois muito bem, foi só Dona Dilma, nossa presidente, autorizar uma redução na conta de luz do povo, que a Ligth, a mais poderosa e antiga empresa de energia elétrica de nosso país, em parceria com a “Annel”, agência reguladora de preços, aumentou o preço da conta de luz em 4,68%, alegando precisar cobrir o prejuízo que tem com os “gatos”, como são chamadas as fiações irregulares que levam energia elétrica para uma parte da população que costuma se favorecer através da “Lei de Gerson”, aquela que os favorecem levar vantagens em tudo.
    Cuidado petropolitanos com a Ampla! O mau exemplo costuma ser imediatamente seguido. Defendo que a honestidade não é uma qualidade inerente ao ser humano, é uma obrigação. Porém, como dói na alma pagar por ser honesto no Brasil. Como é doloroso ter que se caracterizar de Pato, para favorecer os Gatos do nosso querido país!  






Ontem e Hoje (60 anos e o Brasil, em termos morais, não mudou nada) Esta crônica foi publicada em 17/04/1952 no antigo jornal “Diário da Noite” do Rio de Janeiro.


85º O MAR PARA MINAS


O único mal do Dr. Getulio está na fé que, talvez sem o querer inspira a todos. Dessa estranha inspiração emanam, ao mesmo tempo, toda a glória e toda a desgraça do inclito presidente. Em vão procura ele, agitando os fatos, provar que não lhe é possível, a esta altura, fazer milagres. De grandes produtores de borracha passamos a grandes consumidores de “whisky”. Torna-mo-nos, pois, borrachos. Prova o governante, sempre apoiado em cifras, que produzimos menos café, menos algodão, menos feijão, menos cacau. Aumentamos o número dos comedores e diminuímos, do mesmo passo, a quantidade de comida. A sêca, o carrapato, a lagarta, o caruncho, a saúva, o atravessador, o agiota, o importador de cadillacs, tudo isso, enfim, impede o presidente da República de realizar milagres.
     Mas em vão. O povo tem fé no Dr. Getulio. Mas não se trata de uma fé do tamanho de um grão de mostarda, o suficiente, segundo Jesus, para remover montanhas. Trata-se de uma fé maior, como essa que está possuída a menina Gilda, de Belo Horizonte. Que espera essa garota de dez anos que escreve melhor do que certos escritores nacionais? Espera o milagre, só realizável pelo Dr. Getulio, de fazer chegar o mar até a linda capital mineira. Gilda gosta do banho salgado. E só poderá tomá-lo, na sua terra, se o Dr. Getulio transportar para lá um pouco de mar. De preferência
o mar do nordeste, muito verde e salgado, que é dele que precisa o corpo ainda insosso de Gilda.
     Há vários milagres que o Dr. Getulio poderia operar em Minas. O primeiro, de ordem financeira, seria o de evitar a bancarrota de mais de duzentas firmas comerciais no grande Estado do sergipano Alberto Deodato. Outro, de ordem espiritual, seria o de evitar, para tranquilidade da família cristã, que católicos mineiros apedrejem de novo seus irmãos protestantes, como ocorreu há pouco em Congonhas. E há, de certo, outros milagres a operar. Mas o de Gilda será o primeiro. Sim, não é difícil levar o mar para Minas. Esse milagre depende apenas da fé no Dr. Getulio. E essa fé, ao que nos parece, não é do tamanho de um grão de mostarda. É do tamanho daquele bonde mineiro.        
 
                                                                        Abelardo Romero
Obs. Foi mantida a grafia da época.                                                                                      







ANIVERSARIANTES do MÊS


Parabéns!




Iran Rocha           13
Sandra Anderson      14
Orlinto F. Lima      14
Débora S. Tavares    15
Osvaldo L.V. Affonso 22
Heloisa Gomes Couri  25

A MELHOR FRASE DO MÊS

“O mundo estaria salvo se os homens de bem 
tivessem a mesma ousadia dos canalhas”
(Benjamin Constant)


PENSAMENTO DO MÊS

“As coisas valem pelas idéias que nos sugerem” 
(Machado de Assis)



O RISO DE CARLITOS

 “Já meio entediado, o marido chamou a mulher e contou-lhe que descobriu uma nova posição para fazer amor. Muito excitada, pois já não aguentava mais aquela monotonia sexual, a mulher quis saber como era. – Nessa nova posição, teremos relações sexuais deitados de costas um para o outro. – Os dois de costas? Como isso é possível? – É muito simples – responde o marido. – Vou convidar outro casal”. 
NEWS



 Não deixe de assistir o programa “BASTIDORES”, na TV Vila Imperial, Canal 19 da TECHCABLE, todas as terças-feiras, às 13 horas, com reprise às quintas-feiras, às 17 horas e aos sábados, às 16 horas. Quem não mora em Petrópolis poderá assistir através da Internet: www.tvvilaImperial.com.br Produção, direção e apresentação de Angelo Romero e com a poetisa, atriz e apresentadora Ivone Sol. A equipe de produção conta também com o escritor, historiador e fotógrafo, Almir Tosta.

A produtora cultural Ivone Sol convida você para comparecer ao seu projeto “Noite Ensolarada”, que este mês integra à programação “Outubro Rosa”. O evento artístico-cultural acontece dia 5 de outubro, às 19 horas, na Casa de Cultura Cocco Barçante, na Rua Coronel Veiga, 1.734. Além do lançamento da segunda edição de seu livro de poemas, “SOLvendo Sentidos” e outras atrações, o evento será em prol da luta contra o câncer de mama. Os convidados deverão trajar  ROSA, se possível. Entrada franca.

Eleito para a Academia Petropolitana de Letras, o amigo e grande historiador Almir Tosta, tomará posse do honroso título de acadêmico titular no dia 19 deste mês, às 19h30, na sede da Academia, localizada à Casa Cláudio de Souza, na Praça da Liberdade, 247. Na oportunidade ele oferecerá um coquetel aos convidados, quando então lançará seu mais recente livro: “A BAHIA DAS TRADIÇÕES, Mistério, Mitos e Magia”. Programa de alto nível!

Dia 10 do corrente, às 19h, no Cine-teatro do Museu Imperial,O acadêmico e colega Gerson Valle estará palestrando sobre Giuzeppe Verdi, com participação do Coral Municipal de Petrópolis, sob a regência do Maestro Paulo Afonso. Evento imperdível! Entrada gratuita

Déh Tavares, bela e competente fotógrafa, tornou-se a mais recente e valiosa associada do Centro Cultural e Teatro Abelardo Romero e colaboradora do nosso “Carlito’s News”


Divirta-se e cresça: assista teatro; estude teatro.


O POEMA DO MÊS

“Na Boca da Noite”



Eu sinto meu, esse entardecer matizado
Essa nuvem de gris e dourado, a sorrir
Esse dia que está por ir, sem ter passado
Esse estado presente – do verbo sentir

Pressinto no vento os alaridos noturnos
Não são taciturnos os movimentos do ar
Esse cantar distante tem efeito profundo
E, se toca em meu mundo, eu viro lugar.

E abrigo o tempo e multo as horas
Que ousarem ir embora antes de mim
Ou quiserem pôr fim em meu agora

Porque o céu se faz meu na boca da noite
E os açores do Mar despertam em mim
Um amor singular de todas as cores


Poema extraído do livro “SOLvendo sentidos” de Ivone Alves Sol, membro titular da Academia Brasileira de Poesia 
– Casa Raul de Leoni.


A CRÔNICA DO MÊS

“Receita de Felicidade”
(Angelo Romero)

Imagem do Google


   Usando a matemática para dividir pode não ser prazeroso, mas na literatura, dividir poderá ser a melhor fórmula de somar. Para tal, bastaria que encontrássemos a nossa alma gêmea. Poderíamos dividir espaços, as mais fortes emoções, sonhos, frustrações. Dividiríamos uma bela imagem numa única janela, dores e amores numa única cama, ou um bom filme num único aparelho de TV. Dividir a audição numa única melodia, num único poema. Compartilhar a vida a dois é viver duplamente. A individualidade só se faz necessária para almas desconexas. O amor exige parceria. É sentimento xifópago. Até a liberdade é compartilhada no amor. E a grande arte é saber usufruí-la a dois. Só se compreende liberdade total para o pensamento.  E para os pássaros que não conseguem alçar vôo agarrados um, ao outro. Mas o ser humano está cada vez mais individualista, como se alma gêmea fosse utopia. Se hoje três pessoas habitam uma mesma casa, há necessidade que cada um tenha seu próprio aparelho de TV. O diálogo foi substituído pelo monólogo. Almas gêmeas não necessitam de muito espaço. Basta um AP conjugado. Tudo em unidade e apenas duas pessoas e duas escovas de dente: uma rosa, outra azul. Para os risos frenéticos, algazarras e diabruras das crianças bastaria um filme de Walt Disney. E para viajar, nada de passaporte. Lar feliz é o único porto seguro. Com imaginação, variada e rica biblioteca, você poderá dar uma volta ao mundo. A integração de alma e espírito terá que ser total e a receita está em afinidade, diálogo e muito sexo. Essa é a minha imagem de felicidade e paz. Utópica, eu sei, e ao mesmo tempo real. E se você, caro leitor, não encontrou sua alma gêmea e mesmo assim resolveu casar e deseja preservar seu casamento, sugiro que mantenha dois endereços: uma para você e outro para a sua esposa, pois na sociedade moderna camas separadas já não resolvem o problema.   






Ontem e Hoje (60 anos e o Brasil, em termos morais, não mudou nada) Esta crônica foi publicada em 16/04/1952 no antigo jornal “Diário da Noite” do Rio de Janeiro

84º  O Grande Crime

O maior crime, na minha opinião, foi esse que sucedeu agora em Petrópolis. Começa pelo lugar. Uma cidade como aquela que é uma grinalda de hortênsias, na alta cabeça da serra, não podia admitir a consumação, e nem mesmo a premeditação de crime tão hediondo. O amor, em Petrópolis, tem que ser de acordo com a cidade, romântico e nobre, ardente e casto, ao mesmo tempo, até a medida do possível. Tem que ser, sobretudo decente. Talvez seja aquela a terceira cidade do país, depois de Olinda e São João del Rey, onde um cavalheiro não se torna ridículo, aos olhos  de sua amada, ao espetar na lapela uma flor silvestre e recitar-lhe ao ouvidinho rosado, ainda mesmo que ela seja ignorante:
   “Amor, che a nullo amato amor, perdona,
   Mi prese del costui piacer si forte”.

   Dante gostaria, estou certo disto, de ter amado em Petrópolis. Hoje, depois desse crime, não mais desejaria. E com razão. Marcos é velho amigo de Romão. Sempre se encontravam, punham-se a tratar de coisas simples e vagas, como ocorre entre amigos. A carestia da vida, o empate do Peru com o Brasil, e nada do aumento na fábrica, hem compadre? Convém esclarecer, desde logo, que ambos são operários. Mais uma razão, portanto, para que não sucedesse entre tão sujo crime. Vinham eles assim, a tratar de coisa leves, quando, de repente, Marcos propôs a Romão que lhe emprestasse Arminda, sua querida esposa. De repente, também, o outro aceitou o negócio. Por trinta cruzeiros, importância que não dá hoje em dia para comprar um filet mignom, Marcos descobriria a vergonha de Arminda, como diziam os cronista de El Rey. Mas nem isso tinha no bolso. Tinha, porém, um relógio de prata, que Romão aceitou como aluguel de sua esposa.
   Estava fechado o negócio. Romão deu corda ao relógio e Marcos ao coração. O primeiro ouviria agora, na fresca noite da serra, o tic-tac metálico do cronômetro. O outro escutaria, feliz, a cabeça dura num seio mole, o doce pulsar de um coração de mulher. E de mulher alheia, o que é, talvez, diferente. Mas Arminda recusou-se a ser emprestada. Não era uma vaca, como o marido supunha, e sim uma mulher. Podia não ser linda como Helena, loira como Isolda, quente como Cassiopeia, nobre como Andrômaca. Era pobre, humilde, primária e, sendo operária, não podia ser bela. Mas era mulher.
   Sim, Arminda é mulher. E tanto assim, que não se deixou emprestar, provocando uma briga entre o marido e o frustro inquilino do seu corpo. Ferida no seu orgulho, soberba na sua dignidade, pode ela agora, desprezando o porco marido, pisar sobre as flores de Petrópolis, na sua nova virgindade. E merece até uma serenata em louvor de sua beleza moral.    
                            
                                                            Abelardo Romero
Obs. Foi mantida a grafia de época.







ANIVERSARIANTES do MÊS
Parabéns!




Paulo Augusto Branco     03

Nélia Geraldo de Almeida 10

Inês Nunes               14

Lourdes Ramos            14

Josemias da Costa Froz   17

Helenice de Paula        24

Paulo Sergio Ramos       25

Luzia de Souza Ramos     27
Iara Roccha              29


PENSAMENTO DO MÊS



 “Facilitar uma boa obra é o mesmo que fazê-la” (Maomé)




O RISO DE CARLITOS

 



 “Durante sua estada no Vietnã, o soldado escrevia cartas bastante eróticas para a mulher, que respondia no mesmo tom. E o negócio foi se tornando cada vez mais violento. Quando já estava chegando a hora de voltar, ele escreveu: Quando eu descer do avião, é melhor que você esteja me esperando com um colchão amarrado nas costas. E a resposta não tardou: Não se preocupe. Farei o que pediu. Mas é melhor que você seja o primeiro homem a sair do avião”.

NEWS
 
Não deixe de assistir o programa “BASTIDORES”, na TV Vila Imperial, Canal 19 da TechCable, todas as terças-feiras, às 13 horas, com reprise às quintas-feiras, às 17 horas e aos sábados, às 16 horas. Quem não mora em Petrópolis poderá assistir através da Internet: www.tvvilaImperial.com.br Produção, direção e apresentação de Angelo Romero e com a poetisa, atriz e apresentadora Ivone Sol. A equipe de produção conta também com o escritor, historiador e fotógrafo, Almir Tosta.
Catarina Maul estará autografando “INTENSA”, seu livro de poemas, na Bienal do Livro do Rio de Janeiro, sábado, às 16h15, no Estande da Oficina dos Editores, pavilhão verde, nº 21 e espera pelos amigos.
A produtora cultural Ivone Sol convida você para comparecer ao seu projeto “Noite EnSOLarada”, que este mês integra à programação “Outubro Rosa”. O evento artístico-cultural acontece dia 5 de outubro, às 19 horas, na Casa de Cultura Cocco Barçante, na Rua Coronel Veiga, 1.734.
Além do lançamento da segunda edição de seu livro de poemas, “SOLvendo Sentidos” e outras atrações, o evento será em prol da luta contra o câncer de mama. Os convidados deverão trajar ROSA, se possível. Entrada franca.
Divirta-se e cresça: assista teatro; estude teatro




O POEMA DO MÊS


SONHO ERÓTICO

Angelo Romero


 



Você não vê e nem percebe o sentimento,
porque meu pensamento é abstrato.
Mas congelando toda a imagem da paixão,
então você poderá ver o meu retrato.
Que fala mais que mil palavras coerentes
tão indecentes quanto um amor dilacerado.
Indiferente é seu olhar sobre meu corpo,
que não percebe o quanto estou apaixonado.
Se da palavra à covardia rouba o som,
não emudece o sentimento em meu olhar.
Sob o domínio da razão você não vê,
o que a emoção já não consegue disfarçar.
Você é sonho que adormece nos meus braços.
Dispo seu corpo, beijo a carne e sinto o cheiro
e amanheço enlouquecido de desejo,
e sem a fronha vejo nu meu travesseiro.


A CRÔNICA DO MÊS


“O MELHOR AMIGO DO HOMEM”
(Angelo Romero)
     Os cientistas garantem que sendo o cachorro um animal irracional, não é provido de inteligência. Vive à custa de instinto, faro e audição privilegiados. Pobres cientistas que nunca tiveram um cachorro como Rony, por exemplo, que sabia os dias da semana e adorava posar para tirar retrato, entre outras artimanhas. Não me trocaria integralmente por um cachorro, mas, se pudesse, trocaria com ele a minha audição e o meu olfato. “O cachorro aprende certas coisas quando é adestrado – afirmam os cientistas. Grande descoberta! E o homem, não? Mas Rony, no caso, nunca foi adestrado e o que conseguiu aprender foi por conta própria. Conheço muita gente que nem adestrada, ou educada, melhor dizendo, consegue aprender os bons modos, a respeitar as crianças, a ter paciência com os idosos e a assistir uma partida de futebol civilizadamente. Não conheço um cachorro vândalo, nem tampouco assassino. O animal irracional só ataca para se defender e só mata para comer. De minha parte, como escritor, eu vivo observando o comportamento humano e analisando minuciosamente, tanto as virtudes, quanto os defeitos e percebo algumas qualidades no cachorro, por exemplo, que raramente percebo no homem. Conhece alguém que tenha tempo disponível e a devida paciência para ser guia de cego? Pois eu conheço um cachorro. Conhece alguém, que não seja seu pai, ou sua mãe, no qual você possa confiar em sua lealdade, integralmente? Pois eu conheço um cachorro. E não venham me dizer que o cachorro responde a um mau trato do homem, com lambidas e afagos por ser um animal subserviente, que eu não aceito. Dentro do tal instinto de que é dotado, prevalece a compreensão e o perdão por uma situação desagradável, proveniente de um problema capaz de transtornar seu dono, por alguns momentos. Quantas pessoas que você conhece que sejam capazes de ter esse grau de compreensão e de perdão, sentimentos nobres que induzem, ao agressor, a um outro sentimento tão importante ao ser humano: o arrependimento!
    Assisti a um filme que conta a história de um casal em crise conjugal. No ápice da crise, resolvem se separar. Antes da separação, no período das discussões e das ofensas, já dava para se perceber um diferente comportamento do cachorro da casa. Um dos problemas gerados pela separação foi com quem ficaria o cachorro. Como não existiu acordo, e ninguém desejava abrir mão do animal, decidiram tirar na sorte. O marido ficou com o cachorro. Um mês depois, estava ele devolvendo o cachorro à mulher. “-Pode ficar com este cachorro ingrato. Por mais que o trate bem, ele não come e vive se escondendo pelos cantos da casa”. A mulher vibrou, mas o mesmo comportamento do cachorro se repetiu com ela. Conclusão: decidiram se dar uma nova oportunidade. Com o retorno do marido a casa, o cachorro voltou a ter o comportamento normal.
    Por um bom período os três viveram felizes. Tempos depois, as discussões e os desentendimentos recomeçaram. O cachorro, que já era velho, veio a falecer. A perda foi muito sentida por ambos e só foi amenizada com a adoção de um novo cão. O extraordinário comportamento do antigo cachorro fez provocar no casal maior reflexão sobre o desgaste normal de uma vida a dois. As antigas discussões foram substituídas por diálogos civilizados. Uma maior compreensão sobre a liberdade e o respeito ao espaço fez retornar das cinzas a admiração mútua que ambos já haviam sentido, em função dos valores de cada um, valores esses tão importantes ao ponto de desculpar as fraquezas inerentes ao ser humano. Diante do respeito, da admiração e do perdão, o amor não precisou bater na porta para retornar.
    E ainda dizem que o cachorro é um animal irracional...  



FILOSOFANDO




Ontem e Hoje (60 anos e o Brasil, em termos morais, não mudou nada) Esta crônica foi publicada em 13/04/1952 no antigo jornal “Diário da Noite” do Rio de Janeiro

83º A Cova dos Leões


    Mudou muito a coisa. Da última vez que o vi na Gaiola, o ano passado, deu-me o Dr. Vital a impressão de um novo Daniel na cova dos leões. Quase o devoram la dentro, uns eriçando a juba, outros arreganhando a dentuça, aqueles nobres irmãos da jungla municipal. Agora, ao voltar ali, foi ele acolhido com palmas. Já não havia leões em cena. Havia homens civilizados. E a prova de que o eram está em que usaram as mãos para bater palmas, utilizando-se da boca, a principio para o refrigerante e o biscoito e,

depois, para o cochicho ao ouvido direito do prefeito.

    No salão nobre, após a solenidade no plenário, foi o Dr. Vital submetido a ligeiro martírio. Sentaram-no numa cadeira rococó, obrigando-o a posar para um fotógrafo tcheque. Reagiu ele, porém, levantou-se e pôs-se a observar o ambiente. A um canto, à pouca distância, queixava-se a inconquistável Ligia ao Dr. Alim, do mau cheiro daquela cocheira, na rua Major Ávila. “Ah, doutor Alim, remova aquilo! Pelo menos o cheiro”. “Sim, dona Ligia – prometeu o secretário de Viação – mas não com perfume de cocheira...”

    O coronel Hiran Dutra comentava, num grupo, o churrasco de Petrópolis: “No governo Dutra, o Pereira Lira foi sempre premiado. Agora, na casa do Fasanello, não conseguiu sequer um gasparino”. O Sr. Gargalhone anunciava, noutro grupo, que no próximo dia 19, aniversário do Dr. Getúlio, marcharia sentimentalmente sobre o Catete à frente de 1.800 favelados de Benfica. Quando o professor Cotrin discutia com o Sr. Frias detalhes da nova mensagem do prefeito, recordou-lhes o Sr. Levi que de uma feita encontrara a diferença de dez centavos nas contas do outro prefeito. O Sr. Osmar Rezende procurava por toda a parte, inclusive atrás dos reposteiros, o Dr. Grilo, o único técnico que não comparecera à festa. O Sr. Mario Martins perguntava paripateticamente a um e a outro, pelo salão: “A maioria dá tudo agora ao Vital. Que receberá ela em troca, algumas secretarias ou uma nova coligação?”

    Lá em baixo, ao pé da escadaria, conversava o Sr. Ary Barroso com o Sr. Alfredo Pessoa. O sr. Xavier de Araújo chamava a atenção do Dr. Angione para os músicos da banda da polícia municipal: ”Outrora – disse – eles chegavam enxutos, inclusive no tempo chuvoso. Dispunham de três caminhonetes para a condução. Hoje andam a pé. Oh, como é triste o penacho de um músico sob a chuva!”

    Pouco depois, saia debaixo de palmas o Dr. Vital. Mudou muita coisa, e até nos detalhes insignificantes: o Dr. Crispim estava de pince-nez e o Dr. Accioly de colete.     

Abelardo Romero.  Obs. Foi mantida a grafia da época.






ANIVERSARIANTES do MÊS 
Parabéns!

Ivone Alves Sol           02
Patrícia Dantas Romero    05
André Luiz Lacé Lopes     06
Jorge da Cunha e Silva    21
Sergio de Medeiros Lemos  22
Paulo Roberto G. André    23
Marta L. Silveira Pereira 25
Leda Torres de O. Affonso 30
 PENSAMENTO DO MÊS
 “As coisas valem pelas ideias que nos sugerem”.(Machado de Assis)
  
O RISO DE CARLITOS
 “Uma bela jovem entrou numa papelaria para comprar um cartão e perguntou ao balconista: O senhor tem cartão para o Dia dos Pais? – Perfeitamente e podemos gravar a mensagem que desejar, na hora – respondeu o balconista. Ótimo, então grave esta: “A quem interessar possa”.
NEWS


 
Não deixe de assistir o programa “BASTIDORES”, na TV Vila Imperial, Canal 19 da TechCable, todas as terças-feiras, às 13 horas, com reprise às quintas-feiras, às 17 horas e aos sábados, às 16 horas. Quem não mora em Petrópolis poderá assistir através da Internet: wwwtvvilaImperial.com.br Produção, direção e apresentação de Angelo Romero e com a poetisa, atriz e apresentadora Ivone Sol. A equipe de produção conta também com o escritor, historiador e fotógrafo, Almir Tosta.

No dia 02 deste mês, a enSOLarada Ivone Sol, entrevistadora do meu programa “BASTIDORES” e criadora e mantenedora do meu blog, estará completando mais uma primavera. Os dias nublados desta cidade serrana, já faz parte do passado. A Bahia nos mandou “SOL”, para aquecer Petrópolis com sua arte. Os parabéns de “Carlito’s News”.    
A Cia. Teatral Abelardo Romero reiniciará os ensaios da comédia “Se meu Sofá-Cama falasse” que, possivelmente estreará no TEATRO DOM PEDRO, brevemente.
Divirta-se e cresça: assista teatro; estude teatro.

O POEMA DO MÊS
(Abro o espaço, neste mês, para homenagear dos amigos, agora colegas, que foram eleitos, por unanimidade, para Academia Brasileira de Poesia).
VERSOS SEM MIM 
(Ivone Sol)



Hoje eu teço versos de mim
Com fios dos sins que não dei
Pondo o talvez depois do fim
Tecendo assim o que não sei
Não sei fazer linha com régua
A métrica não traça destinos
Importa-me instintos e setas
Faço às cegas, meu caminho


Se eu tiver que pousar no chão
Que seja em porção de vento
Nos contratempos da estação
Onde paira meu pensamento


Deixo aos pés minhas diretrizes
Não tem raízes se não tem solo
Não protocolo minhas origens
Mas busco nelas meu repertório.
  
ORVALHO
(Robert Sheldon)

 

Se ao passear em noite clara, lua cheia,
e o orvalho vir molhar os teus cabelos,
não ligue, pra que chorar, é natural.


O orvalho é a lágrima de uma estrela,
que solitária chora a dor da uma paixão.
Apenas ame com seu corpo sensual.


Não ligue não, pois quando o dia amanhecer
e os raios do sol espalhar o seu calor,
enxugarão as tuas lágrimas de amor.



 A CRÔNICA DO MÊS

(Angelo Romero)






 ODE A UMA PARTE DA ANATOMIA DA MULHER



Estava eu desfolhando uma revista, quando me deparei com uma matéria que me instigou a escrever sobre o assunto. O título do artigo era: A VOLÚPIA COMO GUIA, e o subtítulo dizia: Acompanhamos um roteiro que passa pelas mais belas bundas do Louvre. Comentário à parte: “interessante a grafia da palavra “bunda” no computador – vem sublinhada em vermelho”. Será que é pela mesma importância que dou a esta parte anatômica do corpo humano? Mas, vamos ao artigo. A matéria, como se refere o título focaliza as principais obras de arte do período renascentista. Entre os pintores e escultores famosos, o artigo cita: o pintor francês Eugène Delacroix, os escultores italianos Lorenzo Bertolini, Michelangelo, e Antonio Canova, o holandês Adrien Vries, o sueco Johan Tobias Sergel, o contemporâneo Robert Filliou e muitos outros. Num todo, são obras fabulosas que devem ser vistas, admiradas e preservadas pois, se comparadas aos que os “críticos de arte” classificam como esculturas as “obras atuais”, eu me sento no chão para chorar e imagino quantas reviravoltas  dão nas sepulturas os restos mortais de Michelangelo e de Da Vince, só para citar os mais famosos. Mas, deixemos à arte renascentista para focalizarmos nossas mulheres nos dias atuais. Fico a imaginar com que magnitude seriam estas obras de arte dos mestres do passado, tanto na escultura, quanto na pintura, se estes famosos artistas tivessem conhecido e tido, como modelo, a mulher brasileira que, diga-se de passagem, já é famosa em todo o mundo e tornou-se objeto de atração e admiração do nosso calendário turístico, especialmente por esta parte de sua anatomia. O povo norte-americano de um modo geral, e o homem, em especial, tornou-se famoso pelo seu mau gosto. E tal mau gosto se reflete principalmente na maneira de vestir, de se alimentar e de apreciar o corpo da mulher. Enquanto o americano aprecia a mulher magra, excessivamente esbelta, o homem brasileiro prefere as mais carnudinhas e bem distribuídas. Enquanto o seio da mulher tornou-se a parte do corpo feminino que mais atrai e provoca a libido do homem americano, a bunda provoca a maior volúpia ao brasileiro. O saudoso cronista Stanislaw Ponte Preta, assim como o também saudoso e famoso produtor musical Sargenteli, tanto sabiam disso que, enquanto o primeiro elegia as mais belas nádegas do ano, o outro ganhava dinheiro apresentando seu famoso show com esculturais mulatas. Para realçar o mau gosto do homem norte-americano, é bom frisar que sua fixação pelo seio feminino jamais objetivou suas belas formas e seus esculturais traçados. Para eles o que importa é a fartura. Quanto maiores, e não importa o formato, mais provoca sua libido. Talvez isso se dê por um fator traumático, proveniente da infância mal alimentada pelo seio materno em seus primeiros anos de vida. O seio da mulher, para o brasileiro, também é motivo de admiração, porém, nunca foi o tamanho que lhe importou. Por exemplo: o seio em formato de pêra, ou de manga espada, tanto pode ser volumoso, quanto pequeno, desde que não seja flácido e caído. Seu bico deve evidenciar certo orgulho, ereto e olhando sempre para cima. Mas, deixemos o seio de lado e voltemos a focalizar a parte do corpo da mulher, objeto de maior admiração do homem brasileiro e que é o tema desta matéria. Para mim, as nádegas sempre tiveram uma importância vital. Sempre em minha literatura, principalmente tratando-se de crônica, conto ou peça teatral, costumo citar a palavra “bunda”. Não só pelo que ela representa pela força da imagem, como pela sonoridade da palavra. A bunda sempre foi para mim um elemento literalmente forte. Como turista observador, conheci alguns países: Estados Unidos, Argentina, Uruguai e Paraguai. Bundas bonitas, bem traçadas (sentido do formato) e provocantes existem em qualquer parte de nosso planeta, porém, no Brasil, não só pontificam como são abundantes! Conheci também quase todos os estados de nossa federação e posso garantir que foi no Rio de Janeiro, em Porto Alegra, em Salvador e em Vitória do Espírito Santo onde encontrei, em termos proporcionais, as mais belas mulheres brasileiras. Mas como nosso assunto trata exclusivamente da beleza da bunda da mulher brasileira, posso afirmar, sem medo de errar, que não existe outra cidade em nosso país como Petrópolis, onde esta parte da anatomia feminina se destaca pela quantidade e pelo formato escultural. Não sei se é efeito da água, os das ladeiras. O fato é que passeando pela Rua do Imperador, ou 16 de Março, por exemplo, vira e mexe sou acometido por um torcicolo, diante de tão provocador desfile. Costumo parar para apreciar melhor e acabo esquecendo do que eu estou fazendo na rua. E quando vejo uma bunda chapada, do tipo traseira de Kombi, o que é raro, diga-se de passagem, sinto um impulso de perguntar de onde ela é e se está na cidade apenas como turista. Petropolitana é que não é. Apesar de minha idade avançada, continuo a manter uma boa vista e bom poder de observação. Sei que vou morrer admirando uma bela bunda de mulher e como uma imensa frustração: a de não ter vindo morar em Petrópolis na minha adolescência e mocidade, quando então não seria apenas uma fugaz, como etérea admiração. Seria bem mais que isso.

Obs. Se você é mulher e classifica esta matéria como licenciosa, das duas uma: ou está em Petrópolis como turista, ou é uma exceção à regra. 
FILOSOFANDO


 
ONTEM E HOJE (60 anos e o Brasil, em termos morais, não mudou nada) Esta crônica foi publicada em 11/04/1952 no antigo jornal “Diário da Noite” do Rio de Janeiro
82º O Coronel e as línguas
    Já que voltamos a “flirtar” com o Japão, sejamos agora práticos, e não plutônicos, como da outra vez. As nações, como as mulheres, não se conformam com receber “bouquets” a vida toda. Gostam de um aperto de vez em quando. Daí brotam os gordos frutos nas relações internacionais. Sejamos, pois, práticos. Nada de conquistar o Japão com frases feitas, em inglês ou em francês de diplomatas da “carriere”, e nem com literatos que lá vão à procura de geishas, , santuários budistas, “souvenirs” de porcelana e bambu, kimonos de seda estampada, com crisântemos roxos num fundo negro e estranhas baiúcas onde se bebe sakê.
      Conquistemos o Japão, desta feita, com o coronel Frederico Trota. Encontrarmo-lo, hoje, debruçado sobre alta mesa, a encher de caracteres ideográficos, com finíssimo pincel, comprida e crespa tira de papel de arroz.
      - Fazendo já seu cartazinho eleitoral, hem coronel? – perguntamos ao vereador.
      Explicou-nos ele, porém, rindo de nossa crassa ignorância, que aquilo era uma composição, em japonês, sobre as vantagens das relações do Brasil com o Japão. E, largando o pincelzinho, deu-nos logo uma lição em japonês, segundo o método direto, com perguntas e respostas na melhor dicção de Tóquio.
      Acha o coronel, e talvez tenha razão, que lucraríamos muito ao enviar ao Japão brasileiros que ali entendessem com os japoneses em japonês. Nada de lhes perguntar ”how do you do”? ou comment ça vá?, e sim, numa doce curvatura de espinha, “I kagadeska?”.
      - Quem sabe – perguntou-nos ele, retomando o pincelzinho, - se não teríamos feito bons negócios comerciais com os russos, se em lugar de lhes enviarmos um monóculo, um garganta treinada em inglês pelo método Berlitz e uma outra garganta conservada em “whisky”, tivéssemos despachado par Moscou um bom brasileiro que soubesse fechar em russo, bons negócios com os russos?
      Esse brasileiro, naturalmente, teria sido o coronal Trota. Bom soldado, bom cidadão, católico praticante, foi ele um dia chamado ao Catete. Muito embora se utilizasse pouco da própria, o general Dutra sempre dera a maior importância à língua. A qualquer língua. aliás.
      - Coronel, - disse o presidente da República ao Sr. Trota, - prepare-se. Vou nomeá-lo “attaché” militar na nossa embaixada em Moscou.
      O coronel tratou imediatamente de arranjar um russo branco, comprou uma gramática da língua russa, dicionário em russo-alemão e alemão-russo, e danou-se a mastigar a língua de Pedro, p Grande. Bem mastigada a língua, tratou então de mandar fazer duas belas fardas para épater patrioticamente o moscovita. Estava o coronel afiado, da língua até os pés, para exercer com espírito prático a função de “attaché” , quando eis que, lá em Moscou, o ajudante do nosso monóculo perturba-se um pouco, cheio de vapores, e resolve quebrar uma jarra  num hotel do governo russo. Bastou isso para impedir a nomeação do coronel Trota. Espera ele agora ir para o Japão. E para isso começa a falar japonês.     
    
Abelardo Romero.  Obs. Foi mantida a grafia da época.




EDIÇÃO ESPCIAL EM COMEMORAÇÃO AOS 77 anos DE ANGELO ROMERO

                               
                       
ANIVERSARIANTES do MÊS:
  
Parabéns!

Pedro Paulo Kling      02
Angelo Romero          05
Iracema Reis           11
Aldeir José Xavier     20
Mirian Mota C. Antunes 22
Denise Ribeiro Alves   23
Margarida S. Siqueira  25
Paulo Carneiro         30
Aloysio Argollo Nobre  31
      Obs. Comunico, apenas, as datas dos aniversariantes que são associados do Teatro e Centro Cultural Abelardo Romero.     
PENSAMENTO DO MÊS
“O homem que pensa somente em viver, não vive” (Sócrates)

O RISO DE CARLITOS:
“Esta foi a festa mais enfadonha de que estou participando. O Sr. concorda? – Plenamente. O senhor está com toda a razão. Ainda não fui embora porque sou o dono da casa – respondeu o outro”. 

NEWS:
    Não deixe de assistir o programa “BASTIDORES”, na TV Vila Imperial, Canal 19 da Techcable, todas as terças-feiras, às 13 horas, com reprise às quintas-feiras, às 17 horas e aos sábados, às 16 horas. Produção, direção e apresentação de Angelo Romero e com a poetisa, atriz e apresentadora Ivone Sol. A equipe de produção é composta ainda pelo escritor e músico Fernando Garcia, e o escritor e historiador Almir Tosta, no apoio logístico. 
 
   No próximo dia 19 (sexta-feira) às 19 horas, a Cia. Teatral Abelardo Romero estará reapresentando a comédia “As Garotas de Programa” no salão da Academia Brasileira de Poesia, Casa Raul de Leoni, na Praça da Liberdade, 247.
  Reapresentaremos também a comédia “Se meu Sofá-Cama falasse” em data e local a ser anunciado brevemente.
Divirta-se e cresça: assista teatro; estude teatro.



    Obs. Por se tratar de uma edição especial, deixamos de publicar as colunas referentes às Academias: Petropolitana de Letras (Christiane Michelin) e Brasileira de Poesia (Catarina Maul)

O POEMA DO MÊS
Gerson Valle

ESTIGMAS DE LÁZARO

Após
ser ressuscitado
Lázaro
assustou a sua turma
e foi viver isolado.


Depois
ficou se intrigando
nalguma assombração do passado,
nada correspondendo à transição que passara
além dos muros de seus passos


Pensou
se não devia morrer de vez
como a vontade transitória
das pequenas vicissitudes do dia
tão distantes do que já sabia.


Calou-se
para não reencontrar sempre
a dúvida e a mágoa de toda gente
não querendo aceitar
dele já ser diferente.


Gerson Valle é membro titular das Academias Brasileira de Poesia e Petropolitana de Letras.
  
CRÔNICA DO MÊS





PERGUNTA QUE NÃO QUER CALAR


Angelo Romero (Academia Petropolitana de Letras)







    Ah, como eu gostaria de perguntar a um cientista, profundo especialista em “genes” e “DNA” o seguinte: Será que o ser humano, ao ser formado, ainda na condição de feto, já vem com o estigma de assassino, ou de vândalo? Eu custo a acreditar. Que possa vir como artista, escritor e poeta, eu acredito. Afinal, somos fruto de quem nos fecundou. Na verdade, eu não posso admitir que um bebê, que nasce vendo tudo em preto e branco, que não sabe onde está e o que está fazendo neste mundo, já nasça com o desejo de destruir e matar. Logo um bebê que se alimenta do leite materno que vem do que há de mais puro na face da terra: o seio de quem lhe deu vida.
    Antes de a ciência descobrir os genes e o DNA, quando então tudo era explicado em função do sangue, talvez possa ser mais difícil responder a esta pergunta. Hoje, todas as mulheres e algumas levadas por um momento de fraqueza engravidam, mas já conseguem saber quem as fecundou e o homem já não pode negar a paternidade. Uma esperança para a vítima maior: a criança. A medicina, por sua vez, está descobrindo o tratamento preventivo para certas doenças, com auxílio do embrião humano. Creio até que Deus já está ficando preocupado com a futura superpopulação no espaço que ele criou. Mas como Deus é onipotente poderá, se bem o entender, num passe divino de mágica, aumentar a circunferência do globo terrestre sem que nos dê conta disso. Será uma forma divina de implantar a reforma agrária, coisa que o ser humano, corrupto, não consegue.
    Na Idade Média podia-se morrer devido a um simples resfriado.  Hoje, felizmente, para certas doenças que antes eram consideradas mortais, já existe esperança de cura. Porém, no Brasil, pode-se morrer prematuramente devido a um tratamento errado ou ao não atendimento pelos hospitais do SUS e ser classificada como uma morte de causa natural.
    Mas, deixando o Todo Poderoso em paz e voltando ao ser humano, entendemos que quem produz o assassino e o vândalo é a sociedade. E, como assim? Respondo: Fazendo com que a criança seja fruto de um berço miserável, que não saiba quem é o pai, que perceba que a mãe tem comportamento sexual libertino, que ela, criança, seja abandonada ainda na infância, que passe fome e que durma ao relento. Que veja, por exemplo, um garoto na rua calçando um tênis importado e de marca famosa, cujo preço parece coisa oriunda de um mundo de fantasia, ou que carregue um tablet, que nada mais é que um supercomputador, capaz de caber na palma de uma das mãos. A inveja passa a ser um dos fatores para o roubo e o crime. Ou melhor, as injustiças sociais e a falta, em primeiro lugar, de educação e, a seguir, de uma punição adequada. E este garoto, miserável, vai vendo o exemplo negativo da Justiça e da Polícia capaz de prender e condenar um irmão por ter roubado um pão para comer, e perdoar todos aqueles que ficaram milionários à custa do dinheiro público. À custa dos remédios e dos caríssimos aparelhos dos hospitais, surrupiados por alguns médicos e funcionários do estabelecimento hospitalar. Outros estão se beneficiando com parte da verba destinada à merenda escolar, assim como tantas outras falcatruas piores, como as concorrências públicas ilegais para as gigantescas obras superfaturadas, para que, com as quais, possam os políticos e governantes ficar com bom percentual dessas fortunas como comissão. Mas o pobre tem olhos para ver e o mínimo de compreensão para entender.
    Um famoso prefeito do Rio, já falecido, soltou uma frase que papai na época repórter, jamais esqueceu: “Para os amigos, tudo; para os inimigos, cumpra-se a lei”.
    Agora vem o mais difícil de entender, ou seja, porque crianças que passaram por todo o tipo de miséria sobre as quais citei acima, não se tornaram marginais, assassinos e vândalos? Desculpas tinham para isso. Essa é outra pergunta que ficará sem resposta. Será devido ao fator DNA? Pois bem, eu tive o privilégio de conviver intimamente durante alguns anos com uma pessoa (cujo nome ficará no anonimato, por questões de ética)  que passou por tudo que enumerei: Os pais o abandonaram aos cinco anos de idade. A mãe arranjou um amante e se mandou do Rio para Manaus, trocando o filho por um macho que, presumidamente lhe dava um bom sexo. O pai, por motivos que desconheço (injustificável), largou a criança nas ruas. Este menino foi criado por uma prostituta num prostíbulo do Mangue, no Rio de Janeiro. Resumindo: não tem vícios, nunca roubou nem um pão para comer, estudou, se formou e foi classificado com ótimas notas num concurso público, passando a ser admitido como funcionário da Petrobrás, não na Petrobrás de hoje, mas na Petrobrás que já foi orgulho do nosso povo. Hoje, ao que tudo indica, estão tentando tornar a Petrobrás numa empresa deficitária, para que o governo possa, depois, como desculpa, ter que privatizá-la.       
    Sei quando vou ter todas estas resposta, mas garanto que não tenho a menor pressa, pois, sei também que quem irá me responder não faz parte deste mundo.



“Meu aniversário”
Por Angelo Romero
                                                                 

     Eu nasci ontem, em 05 de julho de 1936. Ontem, sim, porque a vida passa muito depressa. Nasci na Rua Alzira Valdetaro 56, no pequeno bairro do Sampaio, subúrbio do Rio. Apesar do berço pobre, tive uma infância muito feliz, porque a felicidade não está nas paredes rachadas e desbotadas que delimitavam meus passos, nem nos jardins mal cuidados. Estava dentro de mim. Tive o imprescindível à vida: toda a família em torno de meu frágil corpo, um coração saudável para viver, a vitalidade infantil nas pernas para correr e na cabeça os livros para sonhar. Pra que mais?

    Quando comentei com um amigo (anônimo) que pretendia comemorar meus 77 anos com uma festa para me ver cercado de pessoas queridas, ele me respondeu:

    - Você acha que ficar velho é motivo para comemorar?  

    Respondi: - Não pensei nisso, mas garanto que o fato de estar vivo e mantendo uma razoável aparência, são motivos mais que suficientes.

    - Você acaba de perder sua última tia, restam-lhe apenas os primos que moram muito distantes, seu filho único mora em São Paulo e seu neto único, no Rio e os três irmãos, por parte de pai, também estão bem distantes. Mesmo assim acredita que sua festa terá sentido?

    Respondi: - Vou completar 77 anos e as perdas fazem parte do ciclo da vida. Além do mais, acredito que todos que citei estariam presentes se pudessem e tal certeza já me conforta.

    - Você é um otimista! – rebateu.

    - Nem otimista e muito menos pessimista. Sou realista e é no realismo que encontro o equilíbrio da vida. E afinal, para que serve a companheira que me acompanha há mais de 50 anos? E as amizades que procuro conservar? Você seria capaz de viver sem amigos? – perguntei.

    - Você seria capaz de reconhecer um verdadeiro amigo? – insistiu.

    - Todos – respondi, pois fui eu que os elegi. O fato de não reconhecer um inimigo já me satisfaz.

    - Conheço bem você e sei de suas qualidades morais e intelectuais. O fato de abraçar e desenvolver todas as formas literárias e quase todas as expressões artísticas, sem que tenha ganhado dinheiro com isso nem reconhecimento do grande público, não lhe é frustrante, não lhe parece um destino injusto?

    - Eu me sentiria frustrado se Deus, meu pai e criador, não me tivesse dado tantas qualidades.  A fama e o dinheiro são consequências da sorte, faz parte da loteria da vida. Milhares de pessoas espalhadas pelo mundo, muitas das quais com valores maiores que os meus, padecem da mesma situação, mas eu não jogo com a sorte, mas me valho da persistência.  O que consegui me basta para viver. Em meu ciclo de amizades, reconheço pessoas que valorizam meu trabalho e tão importante quanto isso é saber que vivemos hoje num mundo virtual e o fato de imaginar que pessoas que não conheço possam estar, à distância, reconhecendo meus valores, já me deixa feliz.
    - Se em tudo o que acaba de me responder, espelha a sua verdade, conte comigo, meu amigo. Estarei presente em sua festa. 
FILOSOFANDO


   
ONTEM E HOJE (60 anos e o Brasil, em termos morais, não mudou nada) Esta crônica foi publicada em 09/04/1952 no antigo jornal “Diário da Noite” do Rio de Janeiro
81º DE CASACA
    COMO o sr. Levi Neves surgisse ontem, em cena com mais um terno novo, contou-lhe este episódio seu colega João Luís:

    - Meia hora antes de sua posse, no Monroe, encontra-se o dr. Cesário de Melo numa alfaiataria, de ceroulas, a ler tranquilamente a primeira edição de um vespertino, enquanto lhe passavam a ferro, para a cerimônia, um fraque de segunda mão.

    - Se isso é piada – comentou o sr. Levi – não lhe alcanço o sentido. Bem, tenho pressa. Saiamos.

    Ao descer peça escadaria de mármore, de barco com o colega, foi o srt. Levi detido por um mendigo. O sr. João Luís desceu mais um degrau e esperou. O ex-líder do general Mendes de Moraes examinou o pobre com seu olho clinico, diagnosticando-lhe o mal metálico, e, em seguida, tirando do bolso o porta-níquel, agitou-o no ar, como se fora um caneco com dados, tirou dele uma moeda, certificou-se bem de seu valor, que era ínfimo, e só depois resolveu entregá-la, na ponta dos dedos, ao paciente mendigo.

    A PROPÓSITO, do sr. Levi – disse então o sr. João Luís – vou-lhe contar outro episódio. Faz muito tempo, neste mesmo lugar, foi o dr. Cesário de Melo atropelado por um mendigo. Como não tivesse dinheiro, na ocasião, o que de resto sempre lhe sucedia, o senador meteu a mão no bolsoe deu ao pobre um bilhete de loteria que recebera, fazia pouco, de um admirador.

    - Desculpe, meu filho – disse o senador ao mendigo. Leve este bilhete. Venda-o a outro. São vinte mil reis. Issa dá para você comer.

    - O FATO ocorrera às 14 horas, - explicou o sr. João Luís – e pouco tempo depois, às 15, saía o tal bilhete premiado com vinte contos. Uma fortuna naquela época! Que faria o colega nas circunstâncias idênticas? Correria atrás do mendigo, arrancando-lhe o bilhete das mãos?

    - Oh, não! – protestou, muito ofendido, o sr, Levi Neves – Jamais eu praticaria um gesto tão deselegante, e sobretudo tão sujo. Mesmo porque eu só daria o bilhete ao mendigo depois de correr a loteria. Antes, nunca!

    CPONTINUAM a frequentar a Gaiola de Ouro os srs. Sizinio Carreiro, comendador Olindo de Vasconcelos, Jayme de Araújo, Olindo Sameraro, Rubem Cardoso, Alziro Angione, Rocha Leão, e Dirceu Quintanilha. Agrupam-se eles, a um canto do plenário, soprando coisas aos ouvidos uns dos outros. Cochichavam eles, ontem, quando os interrompeu o sr, Thedim Barreto, ordenança civil do almirante No nô:

    - Se os senhores ouvirem tiros, na manhã do próximo dia 16, por favor não espalhem boatos. Vasmos fazer exercício de tiro real.  
                                                                               Abelardo Romero 
Obs. Foi mantida a grafia da época.









EDIÇÃO ESPCIAL EM COMEMORAÇÃO A ABELARDO ROMERO


ANIVERSARIANTES DO MÊS DE JUNHO


Parabéns!
Pedro Ignácio da Cruz    04
Ataualpa Pereira Filho   07
Suely Vargas             10
Joel França              12
Giovanna Romero França   17
Jorge Rossi              21
Alice Elisabeth Mesquita 21
PENSAMENTO DO MÊS
“Condoer-se dos sofrimentos de um amigo é fácil; difícil é comprazer-se com os seus triunfos”. (Oscar Wilde)



O RISO DE CARLITOS
“Entrevistando um bela jovem para uma vaga no escritório, diz o gerente: Parabéns, o emprego é seu – e aproximando-se dela, completa: - E agora, você gostaria de tentar um aumento de salário?

  
NEWS:

     Não deixe de assistir o programa “BASTIDORES”, na TV Vila Imperial, Canal 19, todas as terças-feiras, às 13 horas, com reprise às quintas-feiras, às 17 horas e aos sábados, às 16 horas. Produção, direção e apresentação de Angelo Romero e com a poetisa, atriz e apresentadora Ivone Sol. A equipe de produção é composta ainda pelo escritor e músico Fernando Garcia e o escritor e historiador Almir Tosta, com apoio logístico.
     É desejo da Cia. Teatral Abelardo Romero para este ano, se houver apoio publicitário, remontar a comédia-musical “No Sertão do Gonzagão”, e a comédia “A Herança”.
    A comédia-dramática, “DO SÓTÃO, AO PORÃO” terá uma releitura dramatizada no dia 19 de julho, sexta-feira, às 19 horas, com entrada franca, na sede da Academia Brasileira de Poesia, Casa Raul de Leoni, à Praça da Liberdade, 247.  Reapresentaremos também a comédia “Se meu Sofá-Cama falasse” em data e local a ser anunciado brevemente.

Divirta-se e cresça: assista teatro; estude teatro.
O POEMA DO MÊS
Abelardo Romero

 
ODE A UM CAJUEIRO
Cajueiro
 cajueiro,
velho cajueiro em flor
que afundas tuas raízes
na frouxa terra cansada
onde vovô
te plantou


Quando nasci
já eras velho
e florescias na terra
onde vovô
descansou.
Todo janeiro
Floresces.
Eu todo junho
envelheço.
Nosso destino é avesso,
mas igualmente tristonho:
Tu não comes de teu fruto,
nem eu vivo de meu sonho.


Cajueiro,
Cajueiro,
Velho cajueiro em flor,
nenhum de nós é feliz.


Vivemos presos à terra
em que vovô
nos plantou -
Tu preso pela raiz,
eu preso por meu amor,





Cajueiro,

Ó cajueiro,

Velho cajueiro em flor.
Carta para Abelardo Romero, meu pai.
Por Angelo Romero


    Meu velho, o senhor partiu tão repentinamente que se esqueceu de me dar seu novo endereço. Portanto, esta carta vou enviá-la com ajuda da Internet, para o Espaço Sideral.
    Sei que nasceu em 1907 e agora, no próximo dia 13, dia consagrado a Santo Antonio, você, se estivesse aqui entre nós, estaria comemorando 106 anos. Por gosto de sua mãe, minha avó, seu nome seria Antonio, mas foi batizado como Abelardo porque prevaleceu o desejo de seu pai. Por ter sempre gozado de boa saúde e por seu grande amor pela vida, bem que poderia estar vivo hoje e não seria o primeiro a ultrapassar o centenário. Eu não sei como Deus decide o destino de cada um de nós. Não entendo o porquê de Ele estender o tempo de tantos de seus filhos cujas vidas são extremamente pecaminosas e que estão na terra para roubar, matar, trair e cometer toda uma série de desmandos com o intuito de provar o quanto o ser humano pode ser imperfeito! Será que é para dar mais tempo para que esses se regenerem, ou para não tê-los a sua volta? Se for pelo segundo motivo, eu O entendo perfeitamente. Será que levar prematuramente os bons e inocentes para o tal Paraíso prometido é uma forma de premiar a inocência e o bom caráter? Mas ao castigar os que aqui ficam com ausências tão sentidas, não será um pouco de egoísmo Vossa parte, Deus Pai? Aqui na terra, ter a vida longa e prolongada é, por consenso geral, um privilégio divino. Será? Ou será que nossos destinos jamais foram traçados por um Ser Superior e que a morte e a vida não passam de um sorteio lotérico, hem?
     Reconheço que não sou espiritualista como gostaria de ser e que minha fé sofre momentos de pura repressão e reflexão em face das injustiças que sou levado a presenciar. Aos pecadores, ou louros e as vitórias terrestres; aos puros, honestos e inocentes, derrotas e sofrimentos. Vai entender!
     Mas todas estas indagações que ficarão sem respostas e todo este longo preâmbulo têm como intuito de lhe dizer, meu pai, que o estádio do Maracanã, foi reinaugurado. Poucas coisas me remetem tanto a você como o estádio do Maracanã que vimos inaugurar, onde assistimos aos jogos da Copa do Mundo de 50 e quando eu o vi chorar pela primeira vez diante de nossa trágica derrota.  Algumas medidas estão sendo tomadas para levar o Brasil a integrar o primeiro mundo, ou seja: as cadeiras do estádio foram numeradas para disciplinar e dar mais conforto ao público. No entanto, em vista do preço dos ingressos, o futebol já não será um divertimento para o povão que parece não merecer tanto conforto e modernidade. Será um divertimento elitista, voltado para uma plateia selecionada, capaz de obedecer à nova ordem por ser, presumidamente, mais educada e capaz de pagar ingresso, devido ao seu poder aquisitivo, a preço de primeiro mundo.  Já existem bicicletários e pistas para pedestres e desportistas. Acredita? As perigosas favelas já foram pacificadas. Agora fazem parte dos pontos turísticos mais procurados da Cidade, suplantando a procura pelo passeio para ver o Cristo Redentor e o Pão de Açúcar, não é surpreendente? Enfim, estão preparando o Rio, não para o brasileiro, mas para o turista que já está acostumado a ver um mundo educado, moderno e disciplinado.  E poucas coisas como o Maracanã me remetem a você, meu pai, volto a dizer, que mesmo tendo nascido no interior de Sergipe, sempre pertenceu, por cultura, educação e respeito à ordem e ao semelhante, a um personagem de primeiro mundo. Até exagero cometeu, pois algumas vezes me fez acompanhar ao Maracanã, trajando terno e gravata, em lugar de short, camiseta e chinelos. Resumindo, estão tentando transformar o Rio numa cidade de primeiríssimo mundo para impressionar o turista, mas não você, meu pai, que mesmo tendo vivido na contramão dos fatos, pautou seu comportamento como pessoa das mais civilizadas.
    Mas nem tudo são flores. Bandidos assaltaram um casal de turistas alemães e estupraram a mulher dentro de um táxi em dia claro e, mesmo assim a pobre infeliz foi obrigada a ver estrelas. Imagino que a vítima jamais imaginou levar do Brasil um suvenir tão traumatizante.
    Bem, estupro acontece em qualquer parte do mundo, não é verdade? Pacificar uma favela é difícil, porém possível, mas pacificar o sexo é que são elas...

“Diário da Noite” do Rio de Janeiro”
ONTEM E HOJE (60 anos e o Brasil, em termos morais, não mudou nada) Esta crônica foi publicada em 09/04/1952 no antigo jornal.

Pensei a principio que fosse “camelot”. Era um cavalheiro esbelto, de estatura mediana, metido numa casaca russa, a andar despreocupado pela avenida. Aquela hora da tarde, com tanta gente na rua, só mesmo um grande homem, ainda que curto de corpo, despertaria tamanha curiosidade. Apressei o passo para alcançá-lo, e vi que ele usava chapéu coco, calça listrada, polainas e uma bengala femininamente flexível cujo castão de prata tinha a forma da cabeça de uma serpente assanhada. Vi ainda que ele tinha seus cinquenta anos e costumava frisar o bigode à moda do Kaiser. Como não empunhasse nenhum cartaz, não distribuísse panfletos, não anunciasse coisa alguma, cheguei a conclusão de que não era “camelot”. E, de fato, não era, concordamos todos na rua, numa breve troca de olhares.
      Mas, por isso mesmo, porque não fosse um “camelot”, o cidadão fez aumentar ainda mais a onda de curiosidade em torno de sua esguia pessoa. A essa altura, já na calçada do Municipal, detinha-se todo o mundo para contemplar a estranha figura. “Talvez seja um maestro...” admitiu piscando o olho para outra, uma donzela de saia de xadrez, redonda e viva como uma franga carijó. A outra, mais experiente, achou, porém, que o cidadão devia ser diplomata.
      - Só mesmo um diplomata – explicou ela – se veste, caminha e pensa dessa maneira. Aposto que vai comprar frisa no Municipal.
      Mas o encasacado continuou avenida a fora, na direção do Monroe. Seguiram-lhe os passos, discretamente, umas vinte pessoas, entre elas cinco mulheres. A contemplá-lo à distância, da calçada do Municipal, ficou um grupo compacto e tagarela, a fazer mais esta conjetura: “Será doido”?
      Essa conjetura também foi logo afastada. Os doidos, hoje em dia, estão rigorosamente na moda. Vestem-se nos melhores alfaiates, guiam cadillacs, alimentam-se, à noite, de salgadinhos, sacam nos Bancos e dirigem repartições do governo. Depois de prolongada reflexão chegou todo o grupo a um acordo: O cidadão de chapéu coco, casaca ruça, calça listrada e bengala com castão de prata quis apenas provar que o homem (e a mulher também) continua a ser o único animal que para na rua, interrompe o trânsito e adia a solução de problemas urgentes, e tudo isso para contemplar outro homem com o paletó mais comprido do que o dele... 


Abelardo Romero. 
Obs.Foi mantida a grafia da época.
FILOSOFANDO


    Por se tratar de uma edição especial, deixamos de publicar as colunas referentes às Academias: Petropolitana de Letras (Christiane Michelin) e Brasileira de Poesia (Catarina Maul)
Livros do autor Abelardo Romero

A apresentaçãos dos livros não segue a cronologia de publicação

Recortes de Jornais e textos de Abelardo Romero, extraído do Facebook gerenciado por Patrícia Dantas Romero













ANIVERSARIANTES DO MÊS DE MAIO


Parabéns!






Frederico B. da Cruz    04

Sônia Leonel Cabral     06

Marli Angelo            19

Nancy C. Romero Dantas  20

Marina Ramos            23


PENSAMENTO DO MÊS


   “As confissões podem ser boas para a alma, mas são péssimas para a reputação”. (Lord Dewar)
O RISO DE CARLITOS

“Num curso de matemática para adultos, o professor pergunta: Se um homem vendesse uma dúzia de colares de diamantes a oitenta mil reais cada um e seu lucro fosse 25%, o que ele conseguiria?
A aluna mais bonita e gostosa da classe, respondeu:
 - Qualquer coisa que me pedisse”. 
NEWS 


      A estréia do programa “BASTIDORES”, que falará exclusivamente sobre teatro, acontecerá, finalmente, às 13 horas do próximo dia 14 (terça-feira) no Canal 19 TV Vila Imperial, com produção e apresentação de Angelo Romero.  A escritora e atriz Ivone Alves Sol fará parte da apresentação e da equipe de produção, que também contará com o escritor e músico Fernando Garcia. O programa ainda terá apoio técnico do Grupo Teatral “Língua de Trapo”, na pessoa da atriz e diretora Iara Roccha, e o apoio logístico do escritor e pesquisador Almir Tosta.
   É desejo da Cia. Teatral Abelardo Romero, para este ano, se houver apoio publicitário, remontar a comédia-musical “No Sertão do Gonzagão”, a comédia “A Herança” e estrear a comédia-dramática, “DO SÓTÃO, AO PORÃO”, já apresentada com sucesso em leitura dramatizada. Reapresentaremos também a comédia “Se meu Sofá-Cama falasse”.
    A Cia. Teatral Abelardo Romero precisa de novos atores e atrizes. Para isso, vai iniciar este mês o “Curso de Teatro Angelo Romero”. As inscrições já começaram para a turma de 2013. Maiores informações pelo telefone 2245-7260
Divirta-se e cresça: assista teatro; estude teatro.

 
ACADEMIA PETROPOLITANA DE LETRAS NEWS
Por Christiane Michelin

Estreia
Vai ao ar, no próximo dia 14, o 1º programa do confrade Angelo Romero, sobre teatro, na TV Vila Imperial, canal 9, às 14h. Com certeza, vale ficar de olho na telinha!

Força maior
O confrade Arnaldo Rippel, por motivos de força maior, viu-se obrigado a cancelar, na última hora, sua palestra sobre Visconde de Taunay, seu patrono, que aconteceria no último sábado. Pedimos desculpas aos Acadêmicos, mas não houve tempo hábil, nem por parte dele, nem por nossa parte, de avisarmos sobre o incidente – um lamentável imprevisto que, felizmente, não teve maiores consequências. Em breve, um novo horário será marcado e avisado a todos.

Agenda I
      O mês de maio nos trará duas ótimas oportunidades de nos encontrarmos. No dia 10, às 19h30, na Casa de Cláudio de Souza, acontece o “bate bola” entre o Acadêmico Ataualpa Pereira Filho, presidente da Academia Petropolitana de Educação e um de seus alunos, sobre o tema de uma de nossas campanhas - “Vamos Salvar a Língua Portuguesa nas Redes Sociais”.

Agenda II
No dia 28 de maio, às 19h30, acontece a esperada Posse do Acadêmico Antonio Menrod, padrinho da última edição da Revista da APL e um dos homenageados na festa dos Prêmios APL do último dia 21.

Agenda III
No próximo dia 15 a diretoria da APL marcará presença na residência de Dom Gregório Paixão, Bispo Diocesano de Petrópolis por conta da impossibilidade do comparecimento de Sua Exa. Revma. à festa da APL, no último dia 21, quando de sua investidura no Quadro de Membros Honorários da Instituição. Em breve, Don Gregório proferirá uma palestra na APL em atenção ao convite a ele feito pelo confrade Fernando Costa.

Agenda IV
A APL acaba de receber a proposta de uma parceria com o Grupo Imbaúba, da Amazônia, que tem à frente o poeta e músico Caldo Barbosa. Em breve, novidades sobre o assunto. Vale adiantar que Celdo estará em nossa cidade no mês de julho. Aguardem!

ACADEMIA BRASILEIRA DE POESIA NEWS
Por Catarina Maul

 

PALESTRA SOBRE SONETOS NA RAUL DE LEONI

   No dia 15 de maio às 19h, a Academia Brasileira de Poesia – Casa de Raul de Leoni estará realizando mais uma edição do seu Ciclo de Palestras, desta vez privilegiando um estilo poético que detém muitos seguidores, o SONETO.

   Com o título “A Arte dos Sonetos”, o estilo será desvendado para a plateia pelo acadêmico emérito, Diretor de Memórias e Pesquisas da casa, João Roberto Gullino.

   Apaixonado pelos sonetos e grande colecionador dos mesmos, Gullino, atualmente, dedica-se a catalogar os 100 melhores petropolitanos, na intenção de editar um livro com esse achado. O projeto tem coautoria de Gustavo Wider, outro querido membro emérito.

OS FESTIVAIS DE POESIA E A CHANCE DE CONHECER NOVOS POETAS

   Em maio, começam a ser divulgados alguns concursos de poesia na cidade, tendo a Academia Brasileira de Poesia como uma das entidades realizadoras dos projetos.


   Sendo a presidente Catarina Maul organizadora por vários anos de alguns desses festivais, é com grande alegria que ela o faz, no presente ano, estando presidente da Academia.


   Na próxima semana chegará ao grande público os regulamentos do Concurso de Poesia da Bauernfest – 2013, em parceria com a Prefeitura de Petrópolis, e o Festival de Hai Cai, em parceria com a Bunka Sai – Festa da Cultura Japonesa.

   As parcerias são, para a atual gestão da Academia, a maior ferramenta de avanço em todos os sentidos.

O CHÁ POÉTICO DE ABRIL


    Aconteceu na sexta-feira, dia 26 de abril, o costumeiro Chá Poético da Academia, recebendo, para um momento descontraído, os membros acadêmicos e eméritos. Durante as atividades rotineiras do chá, na degustação dos produtos patrocinados pelo Empório Multimix, a quem carinhosamente agradecemos, e a leitura de poemas, os rumos anuais da Academia vão sendo traçados, na exposição de opiniões dos membros e de suas contribuições e experiências. Como convidada deste chá, a presença de Marta, umas das responsáveis pela calorosa acolhida das Academias pela Casa Cláudio de Souza.

BASTIDORES

   Vem sendo minunciosamente produzida a estreia do programa de televisão sobre teatro do acadêmico Angelo Romero, diretor cultural da atual diretoria.

   Com o titulo de BASTIDORES, Angelo Romero, que divide sua paixão literária com a dramaturgia, pretende levar ao público muitos encantos desse grande segmento artístico, presente na Humanidade desde os seus primórdios, razão de viver de muitos.

   O programa estreia ainda em maio na TV Vila Imperial.

   Aguardamos ansiosos!

A CRÔNICA DO MÊS
“Maio, mês das noivas e das mães”
(Angelo Romero)
    Maio sempre foi meu mês predileto. Sendo o Brasil um país continental, o clima de determinada estação do ano não é exatamente igual em todos os estados da Federação. Em cidades do Sul, o inverno costuma ser gélido, já no norte, nordeste e centro-oeste, com exceção das cidades sobre montanhas, o calor costuma ser abrasador. Porém, é durante o outono que a semelhança de clima é maior. Os dias costumam ser ensolarados, mas com temperatura amena. Ninguém se queixa de frio intenso, nem de calor abrasador. Vai daí a minha predileção pelo outono. E por ser uma estação das noivas e da mulher, percebo que podemos respirar romantismo na suave aragem da leve brisa. Passando às vistas numa reportagem sobre moda, observei belos vestidos de noiva em modelos esqueléticos. Até hoje eu não entendi o porquê da necessidade das manequins serem magérrimas. Em princípio, apesar dos belos vestidos, eu não me casaria com nenhuma delas. Mas, por me sentir envolvido pelo clima romântico, vou aproveitar este espaço para reapresentar uma crônica que publiquei no nº 32 do “Carlito’s News de setembro de 2009.
“RECEITA DE FELICIDADE”    
    Usando a matemática para dividir pode não ser prazeroso, mas na literatura dividir poderá ser a melhor forma de somar. Para tal, bastaria que encontrássemos nossa alma gêmea. Poderíamos dividir espaços, as mais fortes emoções, sonhos e frustrações. Dividiríamos uma bela imagem numa única janela; dores e amores numa única cama, ou um bom filme num único aparelho de TV. Dividir a audição numa única melodia, num único poema. Compartilhar a vida a dois é viver duplamente. A individualidade só se faz necessária para almas desconexas. O amor exige parceria. É sentimento xifópago. Até a liberdade é compartilhada no amor. E a grande arte está em saber usufruí-la a dois. Só se compreende liberdade total para o pensamento e para os pássaros que não conseguem alçar voo agarrados um, ao outro. Mas o ser humano está cada vez mais individualista, como se alma gêmea fosse utopia. Se hoje três pessoas habitam uma mesma casa, há necessidade de que cada um tenha seu próprio aparelho de Tv. O diálogo foi substituindo pelo monólogo. Almas gêmeas não necessitam de muito espaço. Basta um ap. conjugado. Tudo em unidade e apenas duas pessoas e duas escovas de dente: uma rosa; outra azul. Para os risos frenéticos, algazarras e diabruras das crianças bastaria um filme de Walt Disney. E para viajar, nada de passaporte. Lar feliz é o único porto seguro. Com imaginação, variada e rica biblioteca, você poderá dar uma volta ao mundo. A integração de alma e espírito terá que ser total e a receita está em afinidade, diálogo e muito sexo. Essa é minha imagem de felicidade e paz. Utópica, eu sei, e ao mesmo tempo real. E se você, caro leitor, não encontrou sua alma gêmea e mesmo assim resolveu casar e deseja preservar seu casamento, sugiro que mantenha dois endereços: uma para você e outro para a sua esposa, pois na sociedade moderna camas separadas já não resolvem o problema.


FILOSOFANDO

O POEMA DO MÊS








Desinvenção
(Christiane Michelin)

Se fosse possível
Fingir que saudade
É só uma borboleta
Pequenina, encantada
Que voa pra longe
Tão logo se esconde o sol

Se fosse possível
Tirar do anzol a isca
E libertar todos os peixes
E transformá-los em feixes de esperança
Que nos trouxessem de volta a alegria

Ah! Se fosse possível lutar contra o inevitável
E fazer do revés
Véu e víeis
A desinventar a dor


Poema extraído do livro “A Ordem do caos”.
Christiane Michelin é membro titular da Academia Brasileira de Poesia e Presidente da Academia Petropolitana de Letras.

ONTEM E HOJE
(60 anos e o Brasil, em termos morais, não mudou nada).
   Esta crônica foi publicada em 07´04/52 no antigo jornal “Diário da Noite” do Rio de Janeiro.
 79º      Ainda o peixe 
          
   O SUICIDIO coletivo dos peixes na Lagoa Rodrigo de Freitas, devia, senão comover, mas pelo menos inspirar o governo no sentido de resolver o problema da pesca. Ficou mais uma vez demonstrado que há abundância e variedade de peixes numa extensão de três mil milhas, ao longo das nossas costas, sem contarmos com o pescado que abunda nos rios, igarapés e lagoas no país. O peixe, como tudo, enfim, entre nós, desapareceu por excesso de proteção. Antas da nacionalização da pesca nunca faltava peixe no mercado. A pesca era então exercida pelos poveiros, rijos portugueses que, não entendendo de piscicultura, saiam à noite, nos seus barcos, com redes, anzóis e um quinto de vinho, e pela manhã, de volta do mar, abarrotavam de peixe a Praça Quinze. Comprava-se o peixe por unidade, e a olho, pagando por ele pouco mais de um tostão.
   Estávamos a comer o bom peixe fresco e gostoso, quando ocorre ao governo a ideia de nacionalizar a peca. O peixe, que vendido a mexer, no balaio, de olho vivo, escama lustrosa, guelra rubra e viscosa, passaria a ser vendido no gelo, a peso e a preço muito alto, pois somente dessa maneira poderia o governo criar e manter uma nova burocracia salgada. O peixe, que passava do barco para o estômago do freguês, passaria agora por várias garras e por vários canais, processos e trâmites competentes. O pescador que era livre, tornar-se-ia um soldado do poder piscicultor. Fardado de azul, seria obrigado a levar seu peixe ao Entreposto, e ali, sob o olho ignorante, mas fiscalizador do funcionário, seu peixinho seria separado, classificado, pesado, medido, cheirado, retiravam-lhe as vísceras, examinavam-lhe os olhos, e embalsamavam-no, por fim, no frigorífico. Controlado pelo governo, o peixe ficaria então não só muito mais caro, como também mais raro, frio, ensosso e doentio.
   E foi o que aconteceu. Mas o pior na nacionalização foi que os poveiros, os únicos que sabiam pescar, preferiram continuar portugueses, fugindo do Brasil. Resultado: - deixamos de comer peixe fresco no Rio. Se o governo quer nos permitir o luxo de comê-lo, revogue a lei de nacionalização, convocando de novo os poveiros. E se não pode revogá-la, peça então ao Japão que nos mande, por empréstimo, alguns dos seus técnicos em, piscicultura e meia dúzia de pescadores. Aqui é que ele não consegue quem pesque. O brasileiro gosta de pescar, sim, mas emprego público... a levar seu peixe ao Entreposto, e ali...      
                                                            Abelardo Romero            

 PRODUTOS DO CENTRO CULTURAL E TEATRO ABELARDO ROMERO
Poesia:


“Desencontro Pontual” (R$19,90)
“Trilhos Sob o Asfalto” (R$19,90)
“O Possível Inatingível” (R$19,90)
Romance:
“Um amor em Braile” (R$29,90)


Encomendas através do e-mail:
aromero@compuland.com.br







ANIVERSARIANTES do MÊS ABRIL

Parabéns!







Regina Godoy                 01

Pedro Vargas                 02


Luana Ribeiro                05


Luís Alberto A. da Cruz      07


Maísa Lemos                  07


Gisele T. de Oliveira        19


Dulce Silva Santos           22


Geraldo de Souza Queiroz     26


PENSAMENTO DO MÊS

“Eu segurei muitas coisas em minhas mãos e perdi; tudo que eu coloquei nas mãos de Deus eu ainda possuo”. (Martin Luther King)
O RISO DE CARLITOS 








 “O melhor amigo meu cometeu dois erros imperdoáveis para comigo. – O que fez ele de tão grave? – perguntou um outro amigo. – Em primeiro lugar, fez de minha esposa, sua amante; e em segundo, me devolveu ela”. 












NEWS





Angelo Romero deverá estrear seu programa “BASTIDORES”, ainda este mês de abril, em data a ser confirmada, na TV Vila Imperial, Canal 19. A escritora e atriz Ivone Alves Sol fará parte da produção e apresentação do programa e Iara Roccha, atriz, diretora e professora de teatro, colaborará com a produção representando a “Cia. Teatral Língua de Trapo”.
Mostraremos e falaremos de forma abrangente sobre o que já aconteceu e o que vai acontecer no teatro petropolitano, brasileiro e internacional.

A Cia. Teatral Abelardo Romero pretende estrear a comédia “Se meu sofá-cama falasse” assim que houver data vaga no Teatro Afonso Arinos em abril, ou maio deste ano. É desejo também da Cia., se houver apoio publicitário, remontar a comédia-musical “No Sertão do Gonzagão”, a comédia “A Herança” e estrear a comédia-dramática, “DO SÓTÃO, AO PORÃO”, já apresentada com sucesso em leitura dramatizada.
A Academia Brasileira de Poesia – Casa Raul de Leoni, convida para a Leitura Dramatizada A Última Aula (Monólogo de um Professor), do ator, diretor e professor, Sylvio Costa Filho. Dia 12 de abril às 19h, com entrada franca.


A Cia. Teatral Abelardo Romero precisa de novos atores e atrizes. Para isso, vai promover o “Curso de Teatro Angelo Romero” e as inscrições deverão estar abertas ainda este mês, para a turma de 2013.

Divirta-se e cresça: assista teatro; estude teatro.








ACADEMIA BRASILEIRA DE POESIA NEWS

Por Catarina Maul










CONVITE ACEITO



A Academia Brasileira de Poesia – Casa de Raul de Leoni, orgulha-se pela conquista de mais este espaço na mídia, oferecido por nosso diretor cultural Angelo Romero, editor e idealizador do Carlitos News, veículo já consagrado na cidade de Petrópolis, levando cultura a centenas de consumidores da mesma.
Como presidente da Academia, recebi das mãos do amigo essa missão que abraço com carinho, ainda mais sendo o veículo um fanzine, linha de edição pela qual tenho verdadeira adoração pela praticidade da leitura, pela informalidade da formatação, pela simplicidade chique da iniciativa.
Há muitos jornais e revistas rebuscados, de coloridos incríveis e formatações impecáveis, que ao terminar de lê-los, ainda nos perguntamos o propósito, os objetivos de quem traçou sua pauta. Mas ao abrir um fanzine como esse, de conteúdo cultural e de informações importantes, o contato é saboroso, é nobre, por isso agradeço, mais uma vez a oportunidade.
De agora em diante, aqui também se encontra a Academia Brasileira de Poesia – Casa de Raul de Leoni.
AGENDA DE PALESTRAS
A Academia prepara com carinho um ciclo de palestras, visando atender os interesses de seus acadêmicos e seu público, já que um dos principais objetivos da instituição é o contato mais íntimo com a comunidade. 
As palestras acontecem na Casa Cláudio de Souza, Praça da Liberdade, 247, sempre às 19h, abertas ao público. Entrada gratuita.
Data
Palestra
Palestrante
17 de abril
Camões
Carmem Nascimento Elias
15 de maio
A Arte dos Sonetos
João Roberto Gullino
19 de junho
A Poesia Marginal
Ataualpa A. Pereira Filho
17 de julho
Trovadorismo em Petrópolis
Roberto Francisco
18 de setembro
Mario Fonseca
Arnaldo Rippel
23 de outubro
O Humor na Poesia
Oswaldo Lino Soares
13 de novembro
O Século XXI e a Poesia Holística
Gerson Valle
LEITURA DRAMATIZADA
Como forma de incentivar também outras formas literárias, a Academia sediará um ciclo de Leituras Dramatizadas de Teatro, onde diferentes textos serão apresentados, disponibilizando ao público uma diversa gama de estilos, escolas teatrais e linguagens.
As artes, nos grandes espetáculos, geralmente caminham juntas. E no teatro há sempre um quê de poesia, uma trilha sonora, um cuidado com as artes visuais. Assim, vemos como muito válido esse contato.
Para abrir o ciclo, dia 12 de abril às 19h, na Casa Cláudio de Souza, 247, com entrada gratuita, a casa receberá a apresentação da leitura “Monólogo de um Professor”, com Sylvio Costa Filho, do Grupo Pessoal Aí.  
Sylvio, professor na vida real, e com mais de 25 anos de experiência no teatro petropolitano, com certeza encherá de arte e magia o espaço da Casa que abrigará o evento.
Participem!
Visitem o site da Academia Brasileira de Poesia – Casa de Raul de Leoni: www.rauldeleoni.org

A CRÔNICA DO MÊS
“As águas de março” (Angelo Romero)

Parece que foi ontem, mas já faz é tempo, em que eu procurava curti os quase trinta e um dias ensolarados do mês de março, no Rio de Janeiro, lamentando ter acabado minhas férias escolares. O tempo, corredor de maratona, passou por mim em disparada e eu custei a perceber que minhas pernas já não o acompanhavam e que as transformações foram acontecendo sem que eu me desse conta. A vida é como um livro bem escrito. Quando você está no melhor da história e pensa que ainda vai ter muita coisa para ler, percebe que já está na última página. Eu só fui perceber que o clima terrestre estava desequilibrado, quando ele, o clima, marcou consulta e foi se deitar no divã de um analista. E aí, o genial Tom Jobim compôs “Águas de Março”. E tome temporal em cima de temporal. Estão gastando tanta água por aqui, que nem uma gota tem sobrado para o nordeste. O solo ressecado de algumas regiões nordestinas faz lembrar o casco de uma tartaruga. E de quem é a culpa? Do povo que desmata a terra? Dos criminosos donos das madeireiras que derrubam as árvores, não as replantam e não são punidos? Na minha infância a maior parte das moradias era em casas. As casas tinham quintais e nos quintais havia árvores. As árvores verdes produziam oxigênio e o oxigênio favorecia uma atmosfera saudável. Hoje o cimento armado dos prédios de apartamentos eliminou o verde e bloqueou a passagem do ar que vinha do mar para refrescar a zona Sul, tornando o Rio uma cidade abafada. A culpa será das indústrias poluentes dos países ricos e dos países emergentes que também querem ficar rico? Este conjunto de coisas proporciona os temporais e os temporais, as tragédias. De quem é a culpa? Do desmatamento das encostas dos morros? Da falta de um bom sistema de recolhimento do lixo, ou de educação de parte da população que atira lixo nas ruas e entope os bueiros que existem para escoar a água da chuva e evitar os alagamentos? Do povão, que constrói suas casas no alto dos morros, sem licença, sem planta aprovada, sem as fundações e os devidos alicerces? Ricos também constroem nos morros, mas mansão de rico não desaba. Será que o maior culpado é o Governo, que não fiscaliza as obras sem licença e não põe em prática uma eficiente política para desenvolver a habitação popular, apesar de cobrar os mais altos impostos entre os países emergentes? Será que o Pré-Sal vai nos salvar, ou vamos continuar a pagar uma das gasolinas mais caras do mundo? Como ficará o bom relacionamento do governo com os usineiros se tentar baratear o álcool combustível? E como é gasto o dinheiro dos impostos? Criando mais ministérios? Aumentando o número de deputados, senadores e vereadores? Pagando ordenados imorais em relação ao salário mínimo do trabalhador e ainda oferecendo benefícios dos mais diversos, inclusive o auxílio moradia? Viajando para o exterior para ver o Papa e ainda levando uma enorme comitiva de políticos que por certo irão apoiar o governo numa futura reeleição? Terá o Governo culpa, ou a culpa é do povo que voltou a eleger os mais famosos ladrões do dinheiro público, todos eles julgados e condenados, mas reeleitos? Quais são nossos defensores? Quais são os nossos líderes políticos? Os mesmos de 30, 40 anos atrás? Políticos esses que não cresceram moralmente em favor do povo e que continuam garotinhos a brincar de esconde, esconde com o dinheiro público em Bancos da Suíça?

     Não vou ler a última página do livro da vida. Basta ler os jornais e olhar de relance as fotos da mais recente tragédia provocada pelas chuvas. E desesperançado de que o Brasil e o resto do mundo tenham solução, o melhor é cantar para não chorar: “É pau, é pedra é o fim do caminho... São as águas de março fechando o verão. É promessa de vida no meu coração”.
FILOSOFANDO


O POEMA DO MÊS
Ugo Miller

“Ah! Tivera eu certeza
Que Jesus me abençoaria
Me consolaria assim dizendo:
-Vem meu filho acabaram suas
tristezas, as traições as decepções –
Aqui você é meu e eu te darei tudo
o que mereces. Aqui enfim serás feliz.
Tu encontrarás todos aqueles
queridos que para cá vieram.
Ah! Se tivesse certeza eu
Apressaria essa ida tão logo


 
(Poema? Bilhete de despedida? Presságio?)

Presume-se que este tenha sido o último texto escrito pelo saudoso poeta e amigo Ugo Miller, meu colega na Academia Brasileira de Poesia. Uma bela homenagem póstuma de Suelena, sua mulher, que digitou e publicou seus últimos poemas, dando ao livro o título: “DÚVIDA”



ONTEM E HOJE (60 anos e o Brasil, em termos morais, não mudou nada.) Esta crônica foi publicada em 07´04/52 no antigo jornal “Diário da Noite” do Rio de Janeiro.
  

78º A revolta dos peixes


            Continuam os doutores preocupadíssimos com o fenômeno ocorrido há pouco na Lagoa Rodrigo de Freitas. Á superfície daquela água mansa afloram, de barriga prateada para cima, milhões, talvez bilhões de peixes. Inúmeros deles chegaram à tona já mortos, enquanto outros, arregalando o redondo olho e abrindo a redonda boca, pediam S.O.S. na língua muda dos peixes. Entre as muitas hipóteses levantadas, na tentativa de esclarecer o fato, impôs-se a princípio, a de que aqueles peixes teriam sido criminosamente envenenados com resíduos, canalizados para a Lagoa, de uma usina desintegradora de urânio e outros materiais atômicos. Não existindo, porém, essa usina, puseram-se os técnicos a investigar outras causas prováveis do fenômeno. Há muito que se despeja lixo na Lagoa. Asfixiados pelo mau cheiro de toneladas de detritos domésticos, teriam os peixes rendido o fôlego ao Criador. Verificaram, porém, os sábios que o lixo é atóxico, inclusive para os peixes.
                 De que teriam morrido, pois os escamosos irmãos da Lagoa? Epidemia, excesso de calor, falta de oxigênio, etc.. Nada disso. Trata-se, no nosso entender, de um fenômeno de ordem política. Foi, em síntese, uma revolução de peixes. Sempre que nos preparamos para comemorar o São João com um peru, o São Jorge com uma galinha e outros santos com ovos, desaparecem, como por encanto, todos os perus, todas as galinhas, todos os ovos. Agora, que nos preparávamos para comer pescado, na Quaresma, ei-lo a fugir do mercado. Ora, o peixe que já é oculto pela natureza, torna-se assim, nesta época, a mercadoria mais facilmente ocultável.
                 Como o povo não entende de peixe, fácil enganá-lo com patranhas sobre o pescado. Da ponta do Caju a Sepetiba, segundo os piscicultores, fogem todos os peixes aos primeiros sinais da Quaresma. Este ano, porém, reunidos em congresso, resolveram os peixes desmoralizar, com sacrifício da própria vida, os líderes de colônias Z, os mandões de entrepostos e as próprias autoridades públicas no domínio da pesca.
                  Se perguntássemos, há dias, a qualquer um deles:
                  - Há peixe na Lagoa?
                  - Qual nada! – responderiam todos a rir da ingênua pergunta. – Só há ali piabinhas. A Lagoa é para turismo, e não para a pesca.
                 Para provar o contrário, reuniram-se aos milhões, os belos, grandes e gostosos peixes da Lagoa Rodrigo de Freitas. “Subamos à tona – propôs um deles. – Provemos ao povo, num suicídio em massa, que há excesso de peixe no Rio. O que não há são outras coisas”...
                                                           Abelardo Romero

PRODUTOS DO CENTRO CULTURAL E TEATRO ABELARDO ROMERO

Poesia:

“Desencontro Pontual”    (R$19,90)
“Trilhos Sob o Asfalto”  (R$19,90)
“O Possível Inatingível” (R$19,90)
Romance:

“Um amor em Braile”      (R$29,90)
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ANIVERSARIANTES do MÊS MARÇO

Parabéns!
Carmen Felicetti                  06
André de Albuquerque Romero       06
Tânia Cristina da Costa           14
Marcelo M Thomas                  16
Sylvio Adalberto                  17
Oswaldo Lino Soares               18
Verônica B. Bozano da Cruz        19
Vanessa dos Reis Rodrigues        21
Andréa do Couto                   23
Herly de Albuquerque Freire       23
Lúcio R. de Carvalho              28
Geraldo da Silva Guimarães        30
Norma de Oliveira de Almeida      31

PENSAMENTO DO MÊS
“Quem faz tudo o que quer,
não faz tudo o que deve”.
(Conselheiro Bastos)

O RISO DE CARLITOS

   “Joãozinho pergunta para a mãe: Eu nasci de um ovo, mamãe? A mãe responde: Claro que não. Foi a cegonha que trouxe você. Mentira! Foi de um ovo - respondeu o menino. Quem disse isso, menino? – perguntou a mãe, aborrecida. Eu ouvi o vizinho falar para o amigo do quinto andar, botando a mão na minha cabeça: “este aqui é o filho daquela galinha da cobertura”. 


NEWS:

  


     Angelo Romero vai estrear seu programa “BASTIDORES”, em abril, em data a ser confirmada, na TV Vila Imperial. O Programa tem a apresentação, idealização e direção geral do Angelo Romero. Fazem parte da equipe a atrizes Ivone Alves Sol, como produtora executiva e apresentadora, e Iara Roccha, como colaboradora, através do Ponto de Cultura Língua de Trapo. Mostraremos e falaremos de forma abrangente sobre o que já aconteceu e o que vai acontecer no teatro petropolitano, brasileiro e internacional.


    A Cia. Teatral Abelardo Romero pretende estrear a comédia “Se meu sofá-cama falasse”, assim que houver data vaga no Teatro Afonso Arinos em abril deste ano.
    É desejo também da Cia., se houver apoio publicitário, remontar a comédia-musical “No Sertão do Gonzagão”, a comédia “A Herança” e estrear a comédia-dramática, “DO SÓTÃO, AO PORÃO”, já apresentada com sucesso em leitura dramatizada.
A Cia. Teatral Abelardo Romero precisa de novos atores e atrizes. Para isso, vai promover o “Curso de Teatro Angelo Romero” e as inscrições deverão estar abertas ainda este mês, para a turma de 2013.
Divirta-se e cresça: assista teatro; estude teatro
A CRÔNICA DO MÊS
(Angelo Romero)
ATA DA REUNIÃO DO GRÊMIO RECREATIVO E CARNAVALESCO ”VAI NA MARRA”
     Às oito horas da noite, em primeira convocação, e às 10h45 na segunda de 13 de maio deste ano, dia de nossa padroeira, foi aberta a reunião para tratarmos do carnaval do próximo ano. Nosso presidente, Sr. Sandoval Praxedes, vulgo Beicinho, dando início aos trabalhos logo passou a palavra pro companheiro mestre Vicentinho, nosso carnavalesco. Este lamentou o último lugar da Escola no carnaval passado e o xxxxxxxxxx consequente rebaixamento para o terceiro grupo. Ao ver dele, o poblema do rebaixamento se deu devido a má fé e a incompetência de alguns jurados, principalmente do Sr. Smotcherds, ou Esmoutecherde, ou, sei lá como se escreve (também foram convocar um sueco para julgar escola de samba (não podia dar certo) e ele deu nota mínima para os quesitos enredo, comissão de frente, bateria e mestre sala e porta-bandeira. Foram lamentadas também as suspeitas levantadas sobre alguns membros de nossa Escola em virtude do falecimento do referido jurado, acontecido um dia após da apuração, quando todos sabem que a referida pessoa morreu de um tombo que levou. O tal jurado estava bebendo uma caipirinha com os amigos num bar do calçadão de Copacabana, quando uma bala perdida o atingiu no peito. Ao cair da cadeira ele bateu com a cabeça no meio-fio da calçada e morreu do tombo. Tem uma ala inteira da Escola como testemunha. Dando xxxxxxxxxxx  sequência  a  reunião,   mestre
     Vicentinho apresentou o tema do enredo para o próximo carnaval Depois de muita gritaria e apartes, foi aprovado pela maioria diante do empenho dos seguranças, o enredo apresentado: “A INFLUÊNCIA DO FAVELADO NA CULTURA DE NOSSO POVO” Em seguida, a palavra foi dada a Mestre Mão de Ferro, diretor de bateria que falou da xxxxxxxxxx necessidade da comunidade fabricar seus próprios instrumentos devido aos preços deles nas lojas. Mas logo foi aparteado por Mestre Pinguela que falou das dificuldades de arranjar gatos por causa das vendas dos churrasquinhos na quadra da escola. O assunto foi muito debatido e ficou provado que o lucro da Escola com os churrasquinhos será maior do que a economia com o fabrico dos instrumentos. Como não houve xxxxxxxxxxx unanimidade, esse assunto ficou pra ser resolvido na próxima reunião de diretoria. Mestre Flor de Cheiro, diretor da ala das baianas, pediu um minuto de silencio em face do falecimento de dona Conceição, que com 91 anos era a mais velha das baianas, em virtude da pirueta que ela deu durante o último ensaio. Já Mestre Bimba da Consolação, puxador (no bom sentido) do samba-enredo, ofereceu seu barraco para ser uma das alegorias. A sugestão foi muito aplaudida, mas não foi aceita devido à dificuldade de retirar o barracão do chão sem desmontar ele. Mestre Vicentinho prometeu entregar o resumo do enredo para o diretor da ala dos compositores, Mestre Almiro Pontual, cuja ausência na reunião foi muito sentida. Ficou aprovado também, antes das 20 eliminatórias, que cada samba-enredo concorrente só poderá ter, no mínimo, um autor e no máximo dez. O assunto mais lamentado foi a impossibilidade da Escola aceitar contribuição em dinheiro oriundo da turma do pó, devido a pacificação do Morro, mas que o dinheiro do bicho continuará a ser muito bem vindo. Ficou aprovada a tabela para as inscrições. Para o pessoal da comunidade a inscrição será grátis. Já os de fora, que quiserem sair como destaques em fantasias de luxo, terão que pagar uma taxa 50% maior do que a cobrada no carnaval que passou. Ficou decidido que Mestre Porreta, que está cumprindo pena no presídio de Água Santa, só continuará como diretor de Harmonia se for solto três meses antes do desfile. A reunião foi suspensa pro pessoal molhar a garganta às 2h40 da madrugada reiniciada, trinta minutos depois, com mais da metade dos diretores ausentes. No item de assuntos gerais, foi solicitado um voto de louvor ao Sr. Dr. Manizel, Pastor do Templo “Deus na Comunidade” por suas substanciosas contribuições para a Escola, em troca de proteção para os seus fieis seguidores. A reunião foi encerrada às 3h35 da madrugada e marcada a próxima para daqui a 30 dias.
OBS. Esta é uma cópia autenticada das folhas 17, 18 e 19 do Livro de Ata número 3. Devido a terem aliviado as borrachas da máquina da secretaria, os erros de datilografia foram riscados com a letra “X”.
FILOSOFANDO
O POEMA DO MÊS
NASCIMENTO
Catarina Maul

Das alturas cai o homem,
meio anjo, meu gente,
todo luz incandescente....
No peito, a bagagem de sonhos
e na alma, total liberdade.

Desce o homem, a identidade,
ganha a terra e seu domínio.
Nos olhos turvos, fascínio
frente a sua verdade.

Das alturas cai o homem,
meio deus, meio poesia,
ar, aroma, maresia,
é todo dom da coragem
absorvida e retida.

Cai na rota decidida,
ganha o mundo e seu destino.
É nobre, claro, menino,
seu coração na batida.
Das alturas cai o homem,
o céu comemora a vida!
(Este poema foi extraído do livro “INTENSA” de Catarina Maul,
atual presidente da Academia Brasileira de Poesia)
TEATRO EM GOTAS
(Curso de Teatro)
Matrículas abertas para 2013
Informações: Tel. 2245-7260
PRODUTOS DO CENTRO CULTURAL E TEATRO ABELARDO ROMERO
Poesia:
        “Desencontro Pontual” (R$19,90)
        “Trilhos Sob o Asfalto” (R$19,90)
        “O Possível Inatingível” (R$19,90)
Romance:
        “Um amor em Braile” (R$29,90)

Encomendas através do e-mail:
aromero@compuland.com.br




2 comentários:

  1. Poxa, que lindo está o querido e esperado veículo de comunicação Carlito's, Neuws, sempre tão bem preparado pelo escritor Angelo Romero. Agradeço a divulgação do meu poema, assim como de meu livro Intensa. Só mesmo um editor poeta para ter tamanha sensibilidade.
    Sobre o programa de TV, espero ansiosa para assistir a estreia. Com certeza, será um sucesso!

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  2. Adorei a ideia do Carlitos News no blog. Excelente.

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